sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Astrologia em tempos de ceticismo

Esses dias conversava eu com Bernardo, que nem adianta taguear porque não vai ver, sobre astrologia - ele, que sempre foi até chato no seu ceticismo, tem começado a se interessar mais(é o ascendente em Aquário, derretendo a pedra taurina de seu ser com a passagem do tempo, chegando cada dia mais perto dos 28 anos).
Acontece que astrologia não é uma invenção baseada em imaginação inventada há 100 anos por meia dúzia de adolescentes bobonas, como adoram pintar por aí. É um daqueles conhecimentos mágicos de mundo - claro que não é ciência, nem quero colocar como se fosse, como adoram os religiosos de hoje em dia, até porque eu nem acho que ciência seja o único conhecimento válido que existe - forjados há mais de 3mil anos atrás, com observações minuciosas sobre a posição dos astros e o impacto da natureza sobre as pessoas. Porque, embora as pessoas hoje se esqueçam disso, quem define nosso calor escaldante de região tropical em janeiro e o frio dos países nórdicos, que não vêem o sol por meses é exatamente a posição do planeta em relação ao Sol - angulação, rotação e translação da Terra, o fato de ser elipse.
As constelaações são apenas uma coincidência, mas não só uma coincidência com datas de aniversário, e sim com determinadas estações do ano. As estações determinam muito a nossa volta e sempre definiram, mesmo em tempos de capitalismo e industrialização: se não definem mais o que comemos de maneira tão direta, com as frutas da época e os animais disponíveis para carne, ao menos ainda definem o calor e a umidade do ambiente.
Astrologia é um jogo complexo de arquétipos, que foi criado na regiao da Pérsia. Claro que muito mudou de lá para cá, e muito muda se mudamos de hemisfério, mas cabe a nós observar essas mudanças e adaptar leituras, entendendo suas limitações.
Este complexo jogo de arquétipos jamais se colocou como definidor de personalidades e de caráter, ela apenas correlaciona aspectos observados das pessoas com a natureza.
Acho curioso como em tempos de tanta ciência e psicanálise a gente não conceba que as primeiras sensações fora do corpo da mãe, tão exploradas em relação a ausência ou presença materna, não tenham a ver também com as primeiras sensações de calor e frio, umidade/secura, vestimentas ou nudezes. Que nao tenham a ver com os alimentos que nossa mãe come quando nascemos, comprovadamente tão influentes em nossos hábitos alimentares. Acho interessante como nos colocamos como seres tão descolados de toda a natureza e do ambiente que está a nossa volta, colocando toda a nossa formação apenas na relação que temos com outros seres humanos, e não com o todo em volta de nós. E nesse sentido a astrologia foi reduzida a uma babaquice para adolescentes.

Não se trata de acreditar em astrologia ou não. Mas de respeitá-la, como talvez uma das poucas vozes que ainda ligam nossos comportamentos aos nossos corpos, nossos corpos ao nosso habitat.