domingo, 16 de junho de 2013

Armário

A distância que tomo de ti me dói a cada segundo.
A falta que vc me faz, do seu cheiro que remete ao conforto primordial do ser....
Chorei cada ausência toda a minha bebezice, e a choro novamente agora, pelos quilômetros e pelo silêncio que nos separa de ser inteiras, uma para a outra...
E me dói que eu mesma coloque essa distância, mas me seria insuportável permanecer perto sem ser livre, e mais ainda me doeria que a distância fosse para sempre, pelo amor que vc deixaria de ter por mim se me conhecesse racionalmente por inteiro.
Quando você ataca meus iguais, quando age com eles como os meus inimigos agem perante a mim, eu sinto uma dor de rejeição que não sei explicar, uma tristeza profunda por saber que é preciso manter a distância. Eu me encho de esperança tantas e tantas vezes de que isso vai mudar, e quem sabe seja isso que me move a escrever, de que eu poderei ser livre e ser próxima de você, sentir seu abraço e seu cheiro mais vezes, mas a cada comentário seu contra meus iguais, eu me calo e lamento a nossa distância, eu choro mas tento secar minhas lágrimas...
A distância que faz o conflito se calar, a distância da minha covardia, do medo enorme que tenho de te perder, o medo por não saber se aguentaria essa dor.
Às vezes eu tento pensar que vc superaria até os milênios de opressão que se sobrepõe sobre nós pelo que sente por mim, o amor viceral que a maternidade traz, às vezes eu tento pensar que com certeza a minha liberdade te faria muito bem, às vezes eu acho um absurdo de minha parte não confiar no seu amor...Mas eu tenho medo de te perder, porque eu não suportaria que você odiasse minha forma de ser, minha natureza.
E me vem a boca uma vontade de te pedir perdão por ser quem sou de fato e não quem tu querias que eu fosse, e ao mesmo tempo uma revolta imensa por tamanha traição a mim mesma.
E assim fico lacrada neste armário, do qual saí para o mundo todo, menos para ti, porque a dor de te perder seria com certeza muito maior do que a dor de perder o mundo inteiro...

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um presente de Dia dos Namorados

Eu tenho a sorte de um amor tranquilo,
Com sabor de fruta mordida....
Como eu sempre quis.
Meu amor com sabor de fruta mordida, amor morno de vermelho bordô, com a calma que a paixão consolidada e saciada tem, o sexo em sua forma completa, que gera outro ser.
Ser teu pão, ser tua comida,
Sem anular todo amor que houver na minha e na sua vida,
o pão e a comida que alimentam e sustentam a liberdade que criamos todos os dias um com o outro, destruindo as travas e entraves de nosso super ego de oprimidos.
E por acharmos nossa fonte escondida, nos alcançamos em cheio, mel, e ferida, do corpo e da alma, e limpamos e curamos nossas dores com gemidos de prazer, a sedução que liberta, a liberdade conquistada, a liberdade do outro que faz crescer a minha.
Embora os trocados para dar garantia sempre nos fujam, e isso nos corroa às vezes, nada como um bom veneno antimonotonia para aliviar o peso dos dias e das coisas que ainda não conseguimos transformar.

Meu amor com sabor de fruta mordida,
Meu melhor amigo,
Esse é meu presente para ti hoje.

Suor

De bobeira estava eu, esperando por um fim de uma conversa para falar com a figura. Na compulsão hiperativa que me acomete, a fixação pelo tempo útil, peguei meu celular e resolvi apagar as mensagens antigas...
Topei com nossas mensagens antigas e comecei a ler uma infinidade de mensagens suas, declarações de amor, poemas, o desespero erótico da paixão. As palavras que marcaram nosso amor ali, na minha frente, e de repente eu fechei os olhos, a cadeira me remeteu à pressão dos pulsos, dos tornozelos, à sensação úmida e jorrante do meio das minhas pernas, e de repente me dou conta que estou com o mesmo vestido preto daquele dia.
Sentindo um lapso da mesma emoção de antes, uma pulsação de extase, eu me pergunto onde foi que perdemos isso, e porque eu me lembrei disso hoje, sem que eu possa sentir sua pele contra a minha...

***

Eu fechei meus olhos, no cansaço dos dias, e Morfeu me levou até você.
Eu sentia sua pele, seu corpo, eu quase senti seu cheiro, eu senti seu gosto na minha boca, a sensação tátil na língua da água que escorria do seu corpo nos dias de calor, eu te tragava, nós tremíamos, ardíamos, declarávamos pelo corpo a paixão.
Quando abri meus olhos, pensei em te ligar. Não sei por que não o fiz.
Acho que é porque te quero mas quero jurar para mim mesma que não.