quarta-feira, 20 de março de 2013

Dos amores que não dão certo


Carta a um amor que certamente deu muito certo:

Sabe, eu tenho umas coisas para te dizer:

Acho tudo isso muito interessante. Acaba-se em pleno fim do ano astrológico, e de um jeito lindo, como sempre.

Se me perguntarem, e vão fazê-lo, porque afinal a mononormatividade do mundo ansiava por ver um fim a essa liberdade assustadora, por que não deu certo, tenho a mais absoluta segurança e tranquila certeza em dizer que este foi um dos relacionamentos que tive na minha vida - entre amorosos ou não - que mais deu certo. 
Do começo ao fim, nos respeitamos enquanto pessoas, respeitamos os limites um do outro (e de quem nos cercava também), trepamos deliciosamente, aprendemos muito um com o outro sobre milhões de assuntos, de facas a Brecht, de Paulo Freire a Kantor, discutimos política de monte, nos divertimos muito e nos quisemos demais. 
Nem no fim, que veio pelas necessidades de um de nós, isso foi diferente. Nem no fim se perdeu de vista que o outro é um universo para além do universo que eu sou, e que é urgente que isso se respeite, e que não é uma afronta a mim a sua necessidade.
Mesmo no fim dissemos "eu te amo", e não se perdeu em nenhum ponto a sinceridade, que foi um dos pilares para a maior das lições que extraio dessa história toda: a importância de se manter a leveza, o quanto nos alimentamos dessa leveza das relações, leveza possível quando se tem a clareza de manter o próprio eixo...

E quando eu te dei tchau hoje de manhã, eu virei as costas e chorei as lágrimas mais felizes da minha vida. Lágrimas que vinham de uma saudade, saudade de se ter vivido algo lindo que talvez não volte, e no meio dessas lágrimas eu ria de me lembrar do que vivemos juntos, do quão improvável e inimaginável era tudo isso quando saí de casa para te encontrar pela primeira vez, naquele posto, da impressão que tive naquela tarde de você... Eram lágrimas felizes porque não sofriam, eram lágrimas não de mágoa, de desamor, ou de ofensa: eram lágrimas de amor.
O que eu tenho a te dizer é simplesmente muito obrigada, por tudo. 
E de verdade, conte comigo para o que precisar.
Eu acho que precisarei de um pouco de distância por agora, eu preciso disso para processar o fim, marcar para o coração o que a cabeça entendeu.
Mas isso é temporário, eu não quero te perder de vista!
Independente disso, eu te levo no meu coração.
Beijo:)
Te amo.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Remoendo...


Na boa, como vcs, pessoas normais que tem relacionamentos baseados em joguinhos, mentiras, romantismo bobo e meias palavras conseguem sobreviver e não enlouquecer?
Psicólogos? Psiquiatras? Quanto de drogas farmacêuticas vocês precisam?
Ou de açúcar?
Ou até mesmo de coisas mais ilícitas?
Como eu mesma aguentei essa perspectiva por tantos anos?
Esperar por uma conversa sincera já me machuca demais, eu já fico enlouquecendo juntando cacos e migalhas de sentido, imaginando e malucubrando, doida por um cigarrinho a mais que me relaxe as tensões...