quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CHUPETAS E MAMADEIRAS SÃO DESNECESSÁRIOS

Em uma festa de família essa semana, uma das pessoas da família, que tem um filho mais ou menos da idade do Pi, com sua chupetona na boca(e o desespero de todo mundo por tirá-la), quando fui amamentar o Pietro virou em choque para mim e disse "ele ainda mama no peito??????????" e eu respondi "mama", e virei a cara, para cortar logo o papo antes que eu lançasse um "e ele chupa chupeta??????????????????".... Só faltou ela me perguntar como eu fiz para tirar a chupeta. Simples, não dei.

Achei esse artigo incrível, bem resumido, sobre o uso de chupetas e mamadeiras em crianças normais. Aí vai!

Mas como sempre, tudo muito bonito na ciência, mas na hora de passar para uma prática de política pública, fica longe, longe....


Coleção Amiga
CHUPETAS e MAMADEIRAS: malefícios comprovados

Mamadeiras e Chupetas são
desnecessárias.

Embora utilizadas pela maioria das crianças, mamadeiras e chupetas podem
causar inúmeros danos e serem transmissores de germes e vermes. Por isto,
uma série de recomendações e normas estão sendo criadas para desencorajar o
uso e controlar a publicidade destes produtos, até então inocentes símbolos da
infância.

O passo 9 para o sucesso do Aleitamento Materno adotado pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança
da OMS/UNICEF estabelece que não deve ser dado ao lactente chuquinhas ou chupetas mesmo sendo
ortodônticas. O uso de bicos artificiais leva ao fenômeno "confusão de bicos", isto é, uma forma errônea
de recém nascido posicionar a língua e sugar o seio, levando-o ao desmame precoce. O recém nascido
(RN) nasce com o reflexo de sugar e deglutir que permite, quando bem posicionado por sua mãe, à uma
pega correta dos seios, ou seja, envolvendo o mamilo e a aréola. Numa boa pega, a língua fica por baixo
(no assoalho da cavidade oral) para pressionar o osso de palato, formando um movimento peristáltico,
ritmado, como uma onda. Desta forma ele consegue ordenhar os ductos ou ampolas lactíferas, esvaziando
os seios e satisfazendo-se. Na posição errada (má pega) o RN só abocanha o mamilo, não conseguindo
esvaziar os seios, causando dor, fissuras, tensão materna, fome, choro e insatisfação do bebê.

Na mamadeira ou na chuquinha, o RN empurra a ponta da língua contra o palato para deter o fluxo
do leite artificial, da água ou do soro glicosado (que são dispensáveis) e não suga, mas apenas engole
passivamente o alimento.

Um estudo realizado no Rio Grande do Sul e publicado internacionalmente constata que o risco de um
lactente ser desmamado era maior para os usuários dos bicos artificiais e chupetas do que para os não
usuários. Além do bebê ficar viciado com uma pega inadequada, o fato dele sugar menos o peito, faz com
que a sua mãe produza menos leite.

Os recém nascidos que usam chupetas geralmente sofrem de Moniliase Oral (Candidíase ou o
famoso "sapinho") e as chuquinhas ou mamadeiras são veículos de contaminação, porque os líquidos
ou leites artificiais podem ser preparados de forma não higiênica e atrapalham a proteção imunológica
fornecido pelo Leite Materno.

CÁRIE DE MAMADEIRA

No Brasil, 11,7% das crianças até 2 anos têm a chamada cárie de mamadeira. Segundo a odontopediatra
Marcia Eduardo, especializada em tratamento de bebês, a cárie é uma doença contagiosa que pode ser
passada de mãe para filho. Beijar o bebê na boca, soprar seu alimento ou limpar a chupeta com a própria
saliva são hábitos pouco higiênicos, mas ainda muito comuns, que transmitem a bactéria da cárie.

CHUPETAS SÃO "CALA A BOCA"

Nos EUA as chupetas recebem o sugestivo nome de "pacifiers", que significa "pacificadores", ou "me
deixa em paz". O lactente no seu primeiro ano de vida está na fase oral do seu desenvolvimento psico-
sexual e a Amamentação em livre demanda (sem horários) é capaz de suprir por si só esta necessidade de
sugar, a chamada "sucção não nutritiva".

AMAMENTAÇÃO EVITA HÁBITOS ORAIS VICIOSOS

Esta é uma das conclusões da tese de mestrado "Aleitamento, hábitos orais deletérios e má-oclusões:
existe uma associação ?" da professora Júnia Maria Chein Serra Negra, de Odontopediatria da
Universidade Federal de Minas Gerais. Ela investigou práticas orais de 357 crianças de 3 a 5 anos, em 4
escolas de classes sociais diferentes de Belo Horizonte, constatando a hipótese de que os lactentes que
não foram aleitadas ao seio, ou o foram por curto período, desenvolvem hábitos orais viciosos.

A chupeta foi o mal hábito que mais prevaleceu, chegando a 75% dos casos. Ao mesmo tempo, 62%
das crianças com respiração bucal tomaram mamadeiras por mais de 1 ano e as crianças com maus
hábitos orais apresentaram 4 vezes mais a chance de desenvolver a mordida cruzada. A pesquisadora
lembra ainda que, ao nascer, o recém nato tem o queixo pouco desenvolvido, (retrognatismo fisiológico)
exatamente para facilitar o encaixe de sua boca no seio da mãe e que o forte movimento de sucção ao
seio vai estimular o crescimento dessa estrutura, projetando-a para frente. Além disso, a amamentação
implica na sincronicidade dos movimentos de sucção, deglutição e respiração, auxiliando a coordenação
da respiração evitando o hábito da respiração bucal, que favorece a instalação de alergias e amigdalites.

A maior incidência de hábitos viciosos foi registrada no grupo de filhos caçulas. Segundo a professora,
isto acontece pelo estímulo que recebem para manterem um comportamento infantilizado.

A Dra. Gabriela Dorothy de Carvalho, especialista em cirurgia buco-maxilo-facial e diretora do Centro
de Estudos Avançados em Odontologia e Fonoaudiologia afirma que a Amamentação é a: - prevenção
da "Síndrome do Respirador Bucal"; - profilaxia das patologias do aparelho respiratório; - forma de evitar
a deglutição atípica; - prevenção da mal-oclusão; - profilaxia das disfunções crâneo-mandibulares; - e a
melhor maneira de prevenir as dificuldades da fonação.

Excepcionalmente, quando por alguma razão médica o bebê não pode ser amamentado ou sua mãe aleitar,
utilizamos copinhos ou xícaras para a administração de leite materno ordenhado.

VEÍCULO DE TRANSMISSÃO DE ENTEROPARASITOS E COLIFORMES FECAIS

Acaba de ser publicado mais um trabalho científico (Pedroso & Siqueira, 1997) que descobriu cistos de
protozoários, larvas de helmintos em chupetas. Ovos de Ascaris lumbricóides, Enterobius vermiculares,
Trichuris trichiura, Taenia sp e larvas de Ancylostomatídae foram encontrados em 11,63% das chupetas
examinadas. Neste artigo os autores afirmam que as mães não tem conhecimento da importância da
higienização e do papel que as chupetas desempenham como disseminadoras de infecções. Observam
também o percentual elevado de sua utilização (na faixa etária de 4 e 5 anos são utilizados por 50 % das
crianças estudadas).

Já havia relatos que a utilização de chupetas aumentam o risco de Otite Média Aguda (Niemela et cols.,
1995), de episódios diarréicos infecciosos (Laborde et cols., 1993), de má oclusão dentária (Niemela et
cols., 1994) e de contaminação de coliformes fecais em 49% das chupetas examinadas (Tomasi E et al,
1992) o que mais uma vez reafirma a necessidade de abolirmos seu uso.

INMETRO REPROVA CHUPETAS

Análises laboratoriais realizadas em abril de 1996, pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial indicam que estes produtos estão oferecendo riscos ao consumidor mais vulnerável.
Uma dezena de marcas foram testadas em vários itens como: embalagem, material, construção e ensaios
físicos (tração e fervura) e o resultado é que apenas uma marca teve aprovação em todos os quesitos. O
Ministério da Indústria e Comércio junto com o Ministério da Saúde estão criando um regulamento de
Certificação de Chupetas.

A "Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes" (CNS, 1992) deixa bem claro
que os rótulos de mamadeiras, bicos e chupetas devem conter a seguinte mensagem:

"A criança amamentada ao seio não necessita de mamadeira e de bico".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



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contaminação e associação com diarréia". II Congresso Brasileiro de Epidemiologia. Programa e
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Valdés V; Sánchez, AP & Labbok: "Manejo clínico da lactação - assistencia à nutriz e ao
lactente"
Ed. Revinter, RJ, 1996.

Prof. Marcus Renato de Carvalho - IBFAN Rio
Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ

Diretor da Clínica Interdisciplinar de Apoio a Amamentação
Rua Carlos Góis, 375, s. 404

Leblon

22440 040 Rio de Janeiro – RJ

BRASIL

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