segunda-feira, 18 de julho de 2011

Violentada

Ódio.
Ódio por toda forma de violência que sofre meu corpo.
Ódio de todos os padrões aos quais nos impõe o machismo.

Dói em mim a manobra de Kristeller que você recebeu.
Dói em mim o pedaço da sua placenta que ficou, quando puxaram-na pelo cordão.
É meu o sangue da sua hemorragia.

Dói em mim a arma apontada para sua cabeça.
Dói em mim o abuso que você sofreu.
Dói em mim o mato que te pinica.
É minha a dignidade que te roubaram.

É difícil pensar em direitos humanos agora.

Mais fácil pensar nos golpes que eu quero aprender,
Na faca cortando o pau,
Do desgraçado que me violenta através do seu corpo.

Mais fácil pensar em prender o sarrista,
em cortar-lhe a língua,
E em cordas a amarrar seus membros.

Mais fácil pensar no prazer de se ouvir gritarem,
médicos e enfermeiros empalados com fórceps,
Cortados em episiotomias anais.