terça-feira, 28 de setembro de 2010

Parada do Orgulho Feminino

Mulheres do mundo todo, univo-nos!!

Vamos aprender com os GLBT's e fazer a Parada do Orgulho Feminino?
Chega dessas piadas de merda, de Freud, de regime forçado, cremes anti-celulite, cesáreas eletivas, pílulas anti-menstruação, Deus, cirurgias plástcas, anti-amamentação, anti-aborto, violência doméstica, aprisionamento do sexo!!

Saiamos por aí exibindo ou escondendo o que nos aapetece de nossos corpos!! Saiamos loucas por aí, beijando umas às outras, beijando nossos homens, levando nossos filhos!!

Vamos jorrar leite nas ruas, exibir nossos lindos corpos, gemer loucas de tesão, menstruar, amamentar, parir gozando, vamos fazer tudo no meio da rua...
E se vierem nos encher o saco, bora praticar um wendozinho básicoooooooo....

Viva nossa condição de mulher!!!

Quando vamos fazer um movimento que exalte a felicidade de ser mulher?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Conversa de meninos

Dedico este post ao Thiago.

Estava eu uma noite, noite seguinte da primeira Tenda Vermelha que fui, amamentando meu bebezico e ouvindo a conversa da janta da sala.
3 dos homens menos machistas desse mundo falavam sobre puteiros, numa naturalidade de doer o coração.
Falavam sobre como funcionam os serviços prestados em puteiros, como algumas putas eram feias, contaram experiências de levar amigos virgens que esperavam um momento especial para lá e como era engraçado constrangê-los.
Aquilo me fez pensar na última conversa que tive com umas amigas minhas, sobre a importância extrema de se usar cremes anti-rugas com 25 anos, e como era ridícula a menina gordinha que alguém estava pegando.

Pois é...A diferença entre o debate sobre gênero e machismo que fazemos nós e os homens é que o debate dos homens nem começou. Eles também se oprimem na própria opressão.

Aposto que boa parte dos leitores devem ter ficado questionando, ao ler o terceiro parágrafo, o que afinal tinha demais na conversa. O quarto parágrafo foi contraste, para impactar o leitor, já que eu imagino que as feministas tenham berrado tanto nesse sentido, que mesmo que tenham causado risos em muita gente elas já deixaram impressas as indignações a respeito, e isso tenha ressoado por aí.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Lar doce lar

Pergunta: "Porque você fez essa escolha, de parir em casa?"


Eu escolhi parto em casa desde que soube que isso era possível.

No primeiro encontro do CAISM, do programa de parto de cócoras de lá, fomos conhecer a sala onde eles fazem o parto. As luzes, as cores, as roupas, tudo insuportável...Mas nada pior que o cheiro. Cheiro de assepsia, cheiro de produtos químicos refinados, cheiro anti-natural. Cheiro que nunca me deixaria esquecer que eu estava num hospital. Cheiro de quando, aos meus treze anos, eu vi meu pai, aquele ser alegre e acolhedor, paizão, simpático e apaixonado pela minha mãe, todo entubado e inchado, numa UTI, de onde ele nunca mais voltou. Cheiro de quando eu vi a mulher mais lúcida que conheci, a sempre alegre minha avó, perder a lucidez num mar de remédios e vomitar em si mesma, me deixando uma sensação terrível de impotência.
As lágrimas me vieram nesse dia, muito fortes como chegam agora nos meus olhos, muito fortes como naquele sábado anterior a morte da minha avó, e eu só queria sair correndo dali.
Jamais conseguiria parir num hospital sem muito preparo. Eu cairia numa cesárea.

E fui fortalecendo a idéia. No começo a ideia de parir em casa combinava com a minha postura de gostar e cultivar o meu feminino, meu ciclo, minha lua - me recolhia nas cólicas menstruais sempre que as tinha, me libertava nas ovulações produtivas e sensuais, valorizava meus seios em decotes, mantinha meu corpo saudável e feliz. Parir em casa combinava com minha busca por uma vida mais natural, com menos remédios e menos uso de tudo o que fosse proveniente de escravizar espécies inteiras.

Mas acima de tudo, descobri uma nova dimensão: parto é sexo.E sexo é "só" o centro da minha vida, centro dos meus questionamentos políticos. Foi com a opressão que me causaram pelo meu sexo, pelo meu tesão, pelo que esperavam de uma menina decente que eu busquei me libertar. Eu jamais deixei me tomarem o sexo, o prazer, e meu controle sobre meu corpo. Nunca permiti que me ditassem o que devia ou não devia fazer. E isso não ia ser diferente no meu parto, a menos que eu precisasse.

Mas eu confio e sempre confiei no meu corpo. Eu não tinha medo de precisar.

Como vcs podem ver, eu pari em casa por mim. O bebê ainda não tinha meu foco.

Pari em casa tendo toda liberdade do mundo, e com ela eu me entreguei ao meu corpo, obedeci as posições que ele me mandou ficar, dormi e gritei muito, virei onça, fiz força, redimensionei meu corpo e minha consciência dele, tive ao meu lado o homem mais magnífico e apaixonante que conheci na vida (e ele também pode acompanhar todo o processo, não saindo do meu lado), e senti cada pedacinho daquele ser sair...
E aí eu finalmente pude entender, enquanto o Pietro saía, o tamanho do meu poder de mulher, que goza, que ri, que chora, que enlouquece, e que no auge da sua sexualidade forma, nutre, dá a luz e amamenta uma nova vida.

Depois de tudo isso sobre mim, colocaram aquele ser pequenino em cima da minha barriga.

Quando eu vi aquela coisinha, pequena, deitadinha no meu colo com os olhões abertos para o mundo, aprendendo devagar a respirar, aí eu entendi o que é o amor a primeira vista. Simples assim.

E por esse momento, sem choro, sem dor, com respeito e com a maior emoção da minha vida, eu agradeço todos os dias.

E depois do parto eu passei um dia nua, leve, no maior barato da minha vida, numa sensação de êxtase, de corpo flutuante, de paz, que nenhuma droga artificial me daria e nenhum hospital permitiria.

E eu pude conhecer minha placenta, tocar nela, sentir seu peso, ver sua cor - aquilo que me manteve conectada ao meu bebê, uma parte do meu corpo, que não me foi arrancada, que voltaria, na grande rede da natureza, ao seu lugar, à terra, da qual somos todos filhos.

É o Pi um bebê tranquilo, feliz, que tem todo carinho do mundo e sempre foi respeitado em sua natureza.

E por tudo isso, eu pari em casa.
E não pretendo nunca parir em outro lugar.