quarta-feira, 26 de maio de 2010

Fraldas de pano - por quê?

Oi pessoal...

Hoje surgiu na lista de fraldas de pano(sim, essas mães internéticas tem lista de email para TUDO!) uma novata perguntando para nós porque usamos/usaremos fraldas de pano...

E eu escrevi para ela o seguinte, espero que explique a alguns de vcs tb:

Bom, eu ainda estou esperando o Pietro, mas já digo desde já porque usarei fraldas de pano:

A primeira razão é sim a ecológica. Veja, estamos caminhando cada dia mais para um colapso ambiental. Se não nos preocuparmos com isso agora, daqui a 20 anos pode ser que nossos filhos(e nós também, porque eu não pretendo morrer tão cedo) enfrentem problemas seríssimos até para conseguir água. Eu não acredito que só usar as fraldas de pano resolvam ou que a questão seja só de cada um enquanto consumidor (afinal, a parcela da poluição mais pesada vem é da produção industrial desenfreada do modelo capitalista, e não tanto do consumo em si), mas acho que também a nossa mudança de consciência faz parte do processo todo. Então, as fraldas de pano são uma parte de posturas que tomamos aqui em casa, que tentam ser sempre o mais coerente possíveis, de se preocupar com o meio ambiente...Reduzir o consumo é uma maneira, dentro do sistema capitalista e na posição que tem um fator de regulação no consumo, de diminuir a produção dessas fraldas e aumentar a produção das de pano...

A segunda razão é a econômica. 1 fralda da mamãe natureza com recheio custa R$35,00, e um pacote com 24 descartáveis(digamos que dê para uns 3 dias, no começo que o bebê se suja mais) custa uns R$25,00. A diferença é que a fralda da mamãe natureza eu vou usar no Pietro, no segundo filho, e talvez até no terceiro....Ou eu posso vendê-la depois. Enquanto as descartáveis vão ser de uma vez só...

A terceira razão é que eu tenho HORROR a absorventes descartáveis, minha pele é cheia de frescura desde que eu era pequena(eu não podia usar descartável), e eu não quero fazer o Pietro passar por toda a encheção de saco que eu passava todo mês(porque para a próxima menstruação quero voltar já com os absorventes de pano e com o copinho)...Provavelmente serei do tipo que troca toda hora o baby por causa disso tb....hehehe

Se dá mais trabalho? Bom, pode ser que dê mais trabalho que as fraldas descartáveis. Mas pensa só: para termos dinheiro, gastamos um tempo no trabalho, certo? Por exemplo, eu trabalhava de garçonete antes, ganhava uns R$35,00 por noite(o que dava mais ou menos 7h de trabalho nos lugares que não eram atentadores aos direitos trabalhistas...enfim). Ganhava R$5,00 por hora. Cada pacote de descartável me custaria, então, 5 horas de trabalho a cada 3 dias. Pensando no meu marido, que ganha 9,00 a hora(menos impostos, mas usemos este valor), cada pacote de descartável custaria quase 3h de trabalho dele. Com as fraldas de pano, gastarei 2h, 3h a cada dois dias, imagino... Pronto, entre gastar nosso tempo trabalhando, longe dos filhos e tendo que deixá-los na escola ou com algum parente e gastar nosso tempo lavando fraldas pertinho deles, nós escolhemos isso...

Pense bem por aí! Boa sorte!

Espero que vc opte pelo caminho das fraldas de pano também...não sou do tipo que fala "cada um com seu problema" porque, afinal, o mundo poluído pelas fraldas descartáveis também é meu!

Parindo a mim mesma

Ontem estávamos eu e minha mãe conversando no telefone, e ela estava super preocupada(para variar...heheh) sobre algumas coisas do parto, mas ela não estava com a postura leonina de sempre "vc está errada e não me obedece mais", ela estava com uma postura muito mais "vc já pesquisou sobre isso? é que me falaram tal coisa, como funciona?"...Tipo, ela estava com uma postura de preocupação, mas demonstrando um respeito grande pelo que eu falo sobre o parto e por tudo o que pesquisei sobre isso, uma confiança que eu não vejo nela sobre mim para quase nada central na minha vida...enfim, mas eu acho que ela estava assim porque sente que falhou no seu próprio parto e porque vê em mim uma confiança em relação a isso que talvez ela admire, como pouquíssimas coisas que eu faço...

Enfim, começou me falando que falou com uma psicóloga(certeza que era uma psicanalista machista, affe, ninguém merece psicanálise!), e que era melhor que o Capi não visse minha vagina quando o bebê estivesse passando, que era muito feio e que ele perderia o tesão por mim. Eu comecei a rir no telefone, falei p/ minha mãe ficar tranquila que, pelo contrário, muitos homens se sentiam mais atraídos por suas mulheres ao vê-las fortes e no auge da feminilidade parindo, que essa idéia de vagina aberta depois do parto vinha de um imaginário machista que coloca a boa sexualidade da mulher como uma vagina apertada...o detalhe é que eu NUNCA, em absoluto, falo de sexo com a minha mãe, até hoje se minha mãe fizer qualquer referência a sexo na minha frente ela dá uma risada e fala "isso não é mãe, é madrasta", então olha o que foi minha mãe falando e eu respondendo isso...enfim, ela começou a colocar algumas preocupações assim, do tipo "mas e a dor, como vc vai fazer? Dói muito!", "e se o bebê entalar, como vai fazer?", "tem bebê que vai e volta e demora para sair, como faz" e todas essas coisas e eu fui rebatendo com tranquilidade, conversando sobre e esclarecendo algumas coisas com tudo o que eu e o Capi viemos estudando nesse tempo...Surgiu também "e se o Capi desmaiar?", e aí eu disse que ele vem se preparando p/ esse momento também, e falei que se ele desmaiar a gente deita ele na cama e deixa ele lá, fazer o que, mas que isso não iria acontecer porque nós nos preparamos e ele está ansioso para viver o momento do parto também...

Enfim, ela ficou mais tranquila, acho eu, e começou a falar do parto dela. Me doeu um pouco: ela morava, antes de casar com meu pai, em Ribeirão Preto, numa casa com minha avó e 2 amigas(se não me engano), tinha um trabalho no HC da USP e todos os amigos p/ tomar a cervejinha de todo dia(bom, o povo de Ribeirão bebe mito mais que a gente...)...De repente ela casa, se muda p/ Santos onde não tinha quase família e nenhum amigo, sem trabalho, com meu pai trabalhando todo dia o dia todo e a sogra para encher o saco(minha avó até hoje é terrível), grávida...Bom, ficou até setembro assim, e em setembro, como queria ter o filho no HC em que trabalhava, foi para lá e ficou na casa de dois amigões dela(hoje meus padrinhos), sem se sentir a vontade, esperando...Como eu estava sentada, o médico marcou uma cesárea para a DPP, dia 17 de setembro. No dia 17, minha mãe foi internada e no exame lá estava eu cefálica. O médico disse que não podia fazer cesárea nela assim, que ela teria que esperar pelo parto normal porque eu virei. Ela voltou e ficou esperando na casa da minha madrinha mais esse tempão...aí, num domingo, 4 de outubro, ela começa a ter contrações às 4h da manhã, e estava fazendo muito muito xixi. Liga para o médico só bem mais tarde, e ele a atende no consultório, no fim da tarde. Chegando lá, ele a examina e vê que eu virei de novo, sentadinha outra vez, minha mãe com 2 dedos de dilatação só, de bolsa rota há um tempão e o bebê quase sem líquido(nem sei se isso realmente procede)...Enfim, ele mandou minha mãe correndo no hospital e fez a cesárea de emergência...nasci de mais de 42 semanas. Bom, saí com vários problemas por ter saído muito tempo depois, além de nascer com o nariz torto, e fiquei na UTI, enquanto minha mãe teve alta. Ela ficou muito mal com isso, os montes de exames que fizeram em mim, ter ido p/ casa sem me ter nos braços...Teve um baby blues pesado, não queria comer, e eu era um bebê muito bravo, chorava o tempo todo e queria minha mãe o tempo todo, além de ter que aguentar sozinha a italianada fazendo comentários em italiano e rindo sem ela entender(quando meu pai estava perto ninguém falava nada porque ele era louco apaixonado pela minha mãe, nem quando estava a minha outra avó, mãe da minha mãe, porque minha avó aprendeu rapidinho italiano e comentava tudo o que elas falavam debochando da cara delas...hahahah) enchendo o saco p/ dar chupeta(como se ngm tivesse tentado, eu não aceitava nada, só o peito), dar complemento alimentar pq tinha pouco leite, enfim, todo o tipo de palpite chato...Ela foi ficando mal, perdeu muito sangue, tinha pouco leite, emagreceu 10 kg no primeiro mês, foi enfraquecendo cada vez mais e se deprimindo, e depois de ficar uns quase 2 meses perdendo sangue, comentou com minhas avós que não estava parando de sangrar - elas quase tiveram um treco e mandaram minha mãe ligar no médico, que deu um remédio lá p/ ela...Ela parou total de ter leite com três meses e ficou muito mal com isso também, porque ela gostava de amamentar(mesmo eu sendo aqueles bebês que amamentam o tempo todo), e tentou de tudo p/ prolongar minha amamentação, mamei na minha tia(que tinha acabado de parir meu primo), mas na época não tinha banco de leite por causa da AIDS, que ninguém sabia direito o que era nem como pegava(nasci em outubro de 1987), e o jeito foi ir ao NANON, e ela disse que odiava isso, odiava mais ainda a italianada falando que sabia que ela não ia conseguir...Mas que pelo menos eu parei de dar um trabalho infinito, parei de chorar o tempo todo - o que eu tinha era fome...hehehe

Ah, enfim, eu fiquei triste por ela com isso. Isso me dá uma força enorme para querer fazer as coisas diferentes, brigar com essa visão de mundo tão machista e tão dura de parto, maternidade, de casamento, de mundo...O preconceito que minha mãe viveu na família do meu pai era porque ela é filha de empregada doméstica solteira - e talvez por isso preconceito de classe e machismo já comecem a me doer tão fortemente desde sempre. Brigar pela atitude, a desconstruir a visão de mulher incapaz, mulher quebrada(como o Freud adora colocar), mulher pecadora, comedora de maçã... Parir por ela, por mim e por todas as mulheres que não o puderam. É uma pena que eu não possa tê-la aqui comigo no dia do parto...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nós, as porra loucas

Estava eu esses dias procurando sobre o parto da Leila Diniz...Me deu um siricutico um dia e eu fiquei pensando que uma mulher que buscava liberdade sexual real como a Leiluska, se pudesse e tivesse a chance, teria um parto mais próximo do natural...
Bom, o que descobri é que ela, apesar de querer um parto natural, fez cesárea por causa da posição da bebê(que eu não descobri qual era...enfim, mas essa até que é uma justificativa para alguns casos). Mas isso pouco importa pro meu post agora.

Nessas minhas andanças internéticas eu achei uma jornalista falando que foi entrevistar a Leila quando a Janaína já tinha nascido, e que, ao contrário da porra louca que dorme de manhã e entrega a filha p/ babá, ela encontrou uma mulher dedicada a filha e a amamentação, que falou no começo da entrevista "não posso demorar muito, porque tenho que dar de mamar para minha filha"...
Me lembrei imediatamente do começo da minha gravidez, em que eu ouvi e não foi de pouca gente: "Isa, não te imagino mãe". Ou então os comentários do tipo "nunca imaginei que vc não fosse marcar uma cesárea!", "nossa, vc está grávida, como mudou de cabeça!!". Ou os mais típicos ainda "mas vcs vão continuar com um relacionamento aberto?"...

Quando se trata do papel de mãe, depois do uso da gravidez e da maternidade como repressores da sexualidade, nossa sociedade e seu pilar judaico cristão separa a mulher que trepa, goza, alucina, quer, pensa, questiona e transforma da mãe que cuida, amamenta, zela, ajuda...Ou seja, se eu era porra louca de esquerda, típica vagabunda e piriguete que ama sexo, bissexual, poligâmica, briguenta e cheia de atividades polítcas e de idéias anarco-comunistas e planos de escolas libertárias, a maternidade (que não parecia comigo...) vai me fazer virar santa acomodada no sofá, típica dona de casa quando voltar do trabalho de tia na creche, heterossexual na prática, contentando-se com sexo quando o maridão quiser, monogâmica...

Agora lá vem essa Isa e esse negócio de sexo alucinado no meio da gravidez, parto orgásmico, amamentar até pelo menos os dois anos e exclusivamente até os 6 meses(na verdade, tô pensando se não fico mais tempo), e trepar jorrando leite(quando eu fiquei sabendo que mulheres que amamentam podem jorrar leite durante o sexo eu fiquei num fetiche maluco com isso, nossa, imagina? Ah, quando acabar meu resguardo...), e essa coisa de só dar algumas vacinas, além de tudo ainda vem com esse papo do pai acordando p/ trocar e lavar fralda e ver o bebê? Pois é, galera, a Isa continua porra louca, e será mamãe. MAMÃE! Assim como a Leila foi, e foi uma puta mãezona.

Bem vindos caros amigos a nós, mães e porra loucas.

Em homenagem a Leila (afinal, graças a ela eu andei muito de barriga de fora por aí)...

O juízo de loucos

O juízo de loucos

É isso afinal que somos, é disso que somos feitos. Pura loucura em nossas escolhas, mas jamais acidentados do destino. Você é a materialização de meus devaneios, nem eu mesma acreditava que vc pudesse existir. Tanto me disseram que não adiantaria esperar, tanto me disseram que eu ia ficar só se continuasse com as minhas "atitudes", e eu na verdade prefiro a solidão a submissão...
Eu que nunca acreditei nessa coisa de esperar, de ver se dá, de teste...Eu que sempre fui certa do "se quero, quero e ponto", nunca achei de verdade que ia encontrar alguém que topasse a minha loucura.
E aí no meio do mundo, no meio da minha felicidade deliciada de libertação de meu ouro de tolo, eu topo com você, vc e todas essas ferramentas fantásticas para quebrar as correntes que ainda me prendem, vc e toda essa loucura de se atirar de cabeça em nós, vc e todo esse vento maluco de liberdade...

Vc sempre me lembra das cores e do colorido do terraço. Olhar nos seus olhos me tira de qualquer sala de jantar. E quando o medo me faz encolher, vc me abraça e me liberta.

Não existe opressão entre nós. Não existe medo que seja paralisante, que seja empecilho a nossa cumplicidade, que nos barre a vontade de crescer. Nossa canção iluminada de sol entoa por aí, irrita aos estáticos da sala de jantar, espanta aos medrosos que nela estão, faz brilhar os olhos de quem quer sair correndo dela, e de quem já brinca livre aqui fora...

Os sonhos que plantamos no jardim de meu corpo crescem, e já estão prontos para brotar...O sonho maluco brotará desde o começo diferente daquelas coisas chatas da sala de jantar...

Eu te amo, meu companheiro de loucuras.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

flamenco

Ouvindo Paco de Lucía, enlouquecendo um pouco.
Preciso dançar, mas os vizinhos me matariam agora.
Que coisa linda esse flamenco nos meus ouvidos...
É algo que me desperta alguma coisa indescritível.
Amanhã tem dança p/ gestantes no grupo de parto. Mas certamente não será o Flamenco que sempre me gritou no corpo.
Ah, ano que vem...Ano que vem eu volto. De qualquer jeito...
Abro mão de muita coisa para isso.
E o Pietro também sente esse som, mexe loucamente dentro de mim ao ouvi-lo...
E quem não se contagia por isso? É possível?
Flamenco me faz voltar a mim mesma, mergulhar, entrar nessa coisa toda de ser mulher, do sangue vermelho que me pulsa as veias e o coração...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Eu acredito

Reblogo este post LINDO do Blog Mamíferas...
Que delícia ler isso com 39 semanas!!!

http://mamiferas.blogspot.com/2010/05/eu-acredito.html

por: Kalu

Eu acredito em você, acredito na força do seu corpo, da sua natureza. Se
você foi capaz de gestar, vencendo as raras estáticas que fazem acontecer a
vida humana, você tem plena capacidade de parir. Eu acredito em você e torço
para que esqueça as dores dos outros, as experiências alheias, as
referências de dores do mundo. Esqueça os diagnósticos médicos que tentam
exaltar sua incapacidade.

Eu acredito em você e mais ainda que você deseja ardentemente o melhor para
si e para seu bebê. Eu acredito que você espera que sua natureza trabalhe e
que você sinta, como um corpo no oceano, que se aproxima de uma praia
paradisíaca. A cada onda você se aproxima. E quando estiver mais perto do
continente, a maré ficará mais forte. Simplesmente solte seu corpo e confie
na força da natureza. Ela é você.

Ao invés de pensar no que pode falhar, não dar certo, do que está fora dos
protocolos, pense no evento do nascimento como uma festa. Prepare uma
deliciosa mala de comida, com aquilo que você quer eternizar em sua memória.
Lembre que mesmo sem lucidez você lembrará do nascimento de seus filhos com
uma riqueza de detalhes impressionantes.

Pense nas músicas que você quer ouvir durante sua viagem ao seu interior.
Sim, vivenciar o parto é mergulhar dentro de si e nesta floresta escura e
desconhecida, viver a mais fantástica aventura espiritual e humana. Escolha
sua trilha sonora. Se você canta, ensaie para seu filho. Cantar ajuda a
aliviar as tensões, a relaxar o assoalho pélvico e faz a dor ficar bem mais
amena. Se seu marido toca viola, escolha canções para ele cantar para você.
Façam um lindo dueto como o fizeram quando colocaram esta alma neste mundo.

Escolha um lugar que você se sinta bem para receber esta vida. E mais ainda,
aonde você tem poder de negociar, de escolher o que comer, o que ouvir, onde
sentar ou caminhar. Escolha, sobretudo, um lugar onde olhem para você não
como uma bomba relógio a explodir a vida, mas como um corpo sagrado que é
capaz de parir divinamente.

Escolha pessoas que acreditam em você, que acreditam em sua natureza de
fêmea, de mulher, na força do feminino. Essas pessoas lhe darão fé para
continuar, para lembrar a razão de suas escolhas. Escolha alguém para
segurar em suas mãos, olhar nos seus olhos e dizer: Estamos quase lá, você
está indo muito bem.

Escolha por um ambiente que seu filho seja tratado com amor, que possa ficar
mais tempo possível com você e de preferência, que não se separem nem por um
momento. Opte por um lugar que você pode negociar protocolos com a
pediatria. Se informe sobre tudo possível e se precisar, peça ajuda para
pessoas que já passaram pela experiência e conhecem de perto o modelo
obstétrico e pediátrico.

Faça do momento de nascer uma celebração da vida, uma grande festa, com
música, boa comida, boas lembranças e boas companhias. Não permita que um
penetra estrague sua festa e roube sua cena. Tenha fé naquilo que trouxer
mais luz e conforto ao seu coração, porque a fé cria uma possibilidade
incrível de fazer as coisas darem certo. Não falo em fé religiosa somente,
falo da fé em si mesma, na força da natureza, na certeza de que somos
perfeitas para gestar e parir.

Lembre-se: nunca é tarde para mudar. Enquanto o bebê estiver aí na barriga
há a chance de escrever um novo fim. Eu mudei com 37 semanas. Até no dia do
nascimento mudar é possível. Prepare o nascimento como quem faz uma
celebração. Eu acredito na força da vida e tenho certeza que você também.

Kalu Brum - Jornalista

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cuba e a homofobia

Liberdade sexual para além do mercado...
=)
Ainda é um enorme tabu por lá, por com certeza a liberdade conquistada lá é bem mais a frente que aqui. Um exemplo disso é que enquanto nossa liberdade de ser algo distinto de heterossexual se restringe a pegar a baladinha GLS e o show de Drag, a deles inclui cirurgia de troca de sexo pelo serviço público de saúde. Isso sim é direito!
Até!
Bjos




Em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/05/cuba-celebra-jornada-contra-homofobia.html

15/05/2010 14h46 - Atualizado em 15/05/2010 14h57

Cuba celebra jornada anti-homofobia

União entre pessoas do mesmo sexo já foi descriminalizada em Cuba.
Filha do presidente Raul Castro lidera Centro Nacional de Educação Sexual.

Da Reuters

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Cuba, que desde 2008 realiza operações gratuitas para mudança de sexo, seguirá lutando a favor dos direitos das minorias sexuais, disse neste sábado (15) a filha do presidente do país, Raul Castro, durante a Jornada contra a Homofobia.

Mariela Castro, psicóloga de 47 anos, lidera o Centro Nacional de Educação Sexual, uma instituição que tem conseguido melhorar a imagem da ilha neste assunto - nos idos da década de 1960, Cuba marginalizava homossexuais e os mandava para campos de trabalho.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Mariela Castro, ao centro, celebra a Jornada no centro de Havana (Foto: AFP)

"Estamos aqui, cubanos e cubanas, para seguir lutando pela inclusão, para que esta seja a luta por todas e todos", disse ela.

Entre os esforços do instituto estão as iniciativas para mudança de identidade de transexuais e a união civil entre pessoas do mesmo sexo, bandeiras que têm chocado setores conservadores da ilha. A união civil homossexual ainda não é prevista em lei.

A união entre pessoas do mesmo sexo já foi descriminalizada em Cuba, mas ainda há casos de perseguição da polícia a homossexuais

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Arrependimento....

Olho para aquelas fotos e não me vejo nelas.
Como quando terminei de me aprontar, sob brigas que sempre serão intermináveis, e me vi no espelho.
Quando entrei naquele salão e vi tudo aquilo, também não parecia ter algo a ver comigo.
E eu tremia, tremia de nervoso, tremia por não saber o que estava fazendo ali, tremia e apertava a mão dele, e ele era realmente a única coisa que dava algum sentido especial aquilo tudo.
Olhava para mim naquela roupa, com aquelas rosas e aquele cabelo, e para ele com aquele terno risca de giz, e nossos amigos naquele contexto bizarro, aquela ostentação que tanto me doía, e eu só pensava em tremer.
Nada naquele dia foi sincero, só o nosso amor era, mas estava numa representação tão distante do que nós somos...Foi sincero o golpe do destino, de tocar Panis et circenses enquanto assinamos os papéis, isso foi muito sincero.
Foi sincera a apresentação do Pedrinho, que disse "O Capi, romântico, hoje, de terno"...
Foi sincero ter sido feito por pessoas que realmente nos reconhecem enquanto pássaros livres, que constroem o casamento como o máximo do companheirismo...
Mas todo o resto era algo externo a nós, e por mais esforço que fizesse em manter aquilo, é insustentável. É insustentável o que fiz, ter submetido a isso o Capi, ter mentido na exaustão das brigas, guardar essa mágoa...

Insustentável fingir ser quem vc não é. E dói perceber que de repente você não teve força p/ brigar um pouco mais.

E toda essa insustentabilidade resultou no fracasso absoluto da minha intenção: eu não queria brigar, mas vou levar essa mágoa doída p/ sempre, não queria a desunião, mas agora duas das pessoas mais importantes da minha vida se odeiam e não dão o menor sinal de tentativa de se entenderem, não queria o ciúmes mas agora quem me gerou não acredita de verdade que eu a ame por causa de uma maldita música e umas malditas fotos...

Foi sincera minha vontade de satisfazer o sonho de minha mãe, passei por cima de um monte de coisas, sofri o vestido branco, sofri o cabelereiro caro, sofri escolher um monte de coisas que não queria, sofri não convidar quem eu queria, sofri ver o que queríamos, as frutas, os pés descalços, as pessoas que nos conhecem de verdade, o vento na praia, a areia, o vestido pintado pela Rety, os nossos amigos tocando, tudo isso indo pela janela...E o resultado foi mais um assunto tabu, mais um nó, mais uma dor, e ainda tive que agradecer por isso! Tudo isso para quê? No fim, para ouvir que eu não a amo de verdade porque não tirei foto com sei lá quem e que eu não a amo de verdade porque tocou meia música da "nossa família" e um monte de músicas "deles, os rivais"(o que particularmente eu não tive nada a ver com a história, foi o pior serviço de DJ e banda que já vi na vida... o pior é isso!)...Como se eu não tivesse passado por cima de uma série de princípios, do feminismo, do natural, da monogamia, do "anti-burguesismo", como se eu não tivesse chorado muito nesse processo, como se eu não tivesse inclusive passado por cima das vontades de uma das duas pessoas mais importantes num casamento - o noivo - para satisfazer um desejo dela.
Pois é, no fim foi isso...

Mas eu assumo minha culpa, eu devia ter brigado mais e ter feito as coisas como queria, ou simplesmente não ter feito nada de nenhum dos planos...

Ah, se eu pudesse voltar atrás...

O mais sincero foi o dia seguinte, mas ainda assim não pode ser completo.

Ainda bem que o mais sincero mesmo somos nós dois todos os dias e todas as noites abraçados...

13 de maio...

Sobre escravidão...

Repostando do blog http://blogdosakamoto.uol.com.br/2010/05/13/lei-aurea-122-anos-conheca-o-escravo-de-hoje/

Lei Áurea, 122. Conheça o escravo de hoje
13/05/2010 - 9:37 - Sem categoria 61 Comentários »

Há exatos 122 anos, era declarada ilegal a propriedade de um ser humano sobre outro no Brasil.

Contudo, a Lei Áurea – curta, grossa e lacônica – não previu nenhuma forma de inserir milhões de recém-libertos como cidadãos do pais, muitos menos alguma compensação pelos anos de cárcere para que pudessem começar uma vida independente. Para substituir os escravos, veio a imigração de mão-de-obra estrangeira, agora assalariada. Os fazendeiros não precisavam mais comprar trabalhadores, podiam apenas pagar-lhes o mínimo necessário à subsistência. Ou nem isso.

Enquanto isso, o trabalho escravo moderno deu lugar a formas contemporâneas de escravidão, em que trata-se o trabalhador como animal, explora-se sua força física aos limites da exaustão e cria-se maneiras de prendê-lo à terra, seja por dívidas ilegais, seja por qualquer outra forma. Para isso, são usadas ameaças e violência como estratégias de convencimento. No passado, sentiram isso na pele imigrantes europeus nos cafezais do Sudeste e migrantes nordestinos nos seringais do Norte. Ainda hoje, são vitimas da escravidão contemporânea milhares de trabalhadores pobres em fazendas de gado, soja, algodão, milho, arroz, cana-de-açúcar, carvoarias, oficinas de costura, pátios de obras de hidrelétricas.

Qual o perfil desse escravo de hoje? Desde 1995, quando o governo federal criou os grupos móveis de fiscalização que verificam denunciam e libertam trabalhadores, 37.205 foram oficialmente retirados dessas condições. Se considerarmos os trabalhadores rurais resgatados entre 2003 e 2009 (descontando o trabalho escravo urbano e o voltado para exploração sexual), temos Maranhão, Pará, Bahia e Mato Grosso do Sul como principais fontes de escravos; uma maioria de homens (95%); a ausência de formação – 40% analfabetos e 28% apenas com a 4ª série incompleta; 63% entre 18 e 34 anos – ou seja, no auge de sua força física, podendo entregá-la aos empregadores.

Saem de regiões pobres para procurar empregos em outros lugares fugindo da pobreza e da falta de oportunidades melhores. A fronteira agrícola amazônica tem sido, historicamente, Pará à frente, o principal destino desses trabalhadores. O município de São Félix do Xingu (PA) é campeão no número de casos de fiscalização desse crime. A fazenda e usina Pagrisa, em Ulianópolis (PA), foi palco da maior libertação até agora com 1.064 pessoas resgatadas. Mas resgates já foram realizados do Rio Grande do Sul a Roraima, passando por São Paulo e Rio de Janeiro, mostrando que o problema é nacional.

Vamos dar um passo atrás e ver e ver de onde vem essa herança maldita. Em 1850, o governo brasileiro finalmente adota ações eficazes para coibir o tráfico transatlântico de escravos após pressão inglesa. Nos anos seguintes, foram tomadas medidas que libertaram crianças e sexagenários. O que, na verdade, serviu apenas como distrações para postergar o fim da escravidão. Os escravos que conseguiam chegar aos 60 anos já não tinham condições de trabalho e eram um “estorvo” financeiro para muitos fazendeiros que os sustentavam. Já os filhos dos escravos não possuíam autonomia para viver sozinhos. Muitos, até completarem 18 anos, foram tutelados (e explorados) pelos proprietários de seus pais.

Mas, por mais que fosse postergada, com o fim do tráfico transatlântico, a propriedade legal sob seres humanos estava com os dias contados. Em questão de anos, centenas de milhares de pessoas estariam livres para ocupar terras virgens – que o país tinha de sobra – e produzir para si próprios em um sistema possivelmente de campesinato. Quem trabalharia para as fazendas? Como garantir mão-de-obra após a abolição total?

Vislumbrando que, mantida a estrutura fundiária do país, o final da escravidão poderia representar um colapso dos grandes produtores rurais, o governo brasileiro criou meios para garantir que poucos mantivessem acesso aos meios de produção. A Lei de Terras foi aprovada poucas semanas após a extinção do tráfico de escravos, em 1850, e criou mecanismos para a regularização fundiária. As terras devolutas passaram para as mãos do Estado, que passaria a vendê-las e não cedê-las como era feito até então. O custo da terra começou a existir, mas não era significativo para os então fazendeiros, que dispunham de capital para a ampliação de seus domínios – ainda mais com os excedentes que deixaram de ser invertidos com o fim do tráfico. Porém, era o suficiente para deixar ex-escravos e pobres de fora do processo legal. Ou seja, mantinha a força de trabalho à disposição.

As legislações que se sucederam a ela e trataram do assunto apenas reafirmaram medidas para garantir a existência de um contingente reserva de mão-de-obra sem acesso à terra, mantendo baixo o nível de remuneração e de condições de trabalho. Com a Lei de 1850 estava formatada uma nova estrutura – em substituição àquela que seria extinta em maio de 1888 – para sujeitar os trabalhadores.

O fim da escravidão não representou a melhoria na qualidade de vida de muitos trabalhadores rurais, uma vez que o desenvolvimento de um número considerável de empreendimentos continuou a se alimentar de formas de exploração semelhantes ao período da escravidão como forma de garantir uma margem de lucro maior ao empreendimento ou mesmo lhe dar competitividade para a concorrência no mercado. Governo e sociedade têm obtido vitórias no combate a esse crime, atacando o tripé que o sustenta (impunidade, ganância e pobreza). Mas sua erradicação ainda é um sonho distante.

Para além dos efeitos da Lei Áurea que completa 122 anos, trabalhadores rurais do Brasil ainda vivem atualmente sob a ameaça do cativeiro. Mudaram-se os rótulos, ficaram as garrafas.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Místico

Me abri.
Simples assim.
Ontem uma nova dimensão se abriu...
E de repente meus medos, tudo aquilo que me estava fechando, que me fez chorar tanto nesses dias, sumiu. Sumiu e me abri de novo, como tinha acontecido antes de eu engravidar, quando enlouqueci e não vi mais as manchas, as máculas...
Entendi de alguma forma mística o mundo, o sexo, o feminino, a vida...Isso de ser germinada, de se abrir para dar a luz a uma nova vida, de alimentar outro ser, requer entrega, loucura, escuridão, mistério...
Eu de repente quero me entregar a isso, fixar-me na nudez, na escuridão, na dor e no prazer alucinantes, no mistério.
É como se todas as coisas se unissem, as dimensões todas se cruzassem em uma reta só e tudo precisasse ser novo e ressignificado..
Acho que foi tudo um produto de uma reflexão longa e nova acerca de ser mulher, de descobrir um novo horizonte em meu ser, e reconstruir a liberdade sob essa condição...
E agora eu estou pronta para me jogar outra vez...

"Não tem calma o forte sim da tua presença
Fecundando minha mente e o fundo desse poço
Onde me jogo simplesmente por esporte boêmio
Mas é tão sério e maluco tá por um fio de tensão"

O poço fecundo eu vejo no fundo dos seus olhos quase pretos, onde me joguei de mãos dadas com você há um ano e ainda não terminei de cair...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Enlouqueci

Estava em meu quarto, sozinha, só de calcinha, deitada na cama de barriga para cima, olhando pro teto.
De repente sinto meu sexo muito quente, muito, me sinto úmida e tenho uma vontade louca de tirar a calcinha e me tocar. Toco em meu clitóris e entro, quase instantaneamente, num orgasmo louco e forte, sinto minha barriga contrair e doer alucinadamente e fecho os olhos, enquanto sinto-me inteiramente e deliciosamente aberta, pernas, colo, vagina, senti-me parindo e gozando muito...
Despertei, molhadíssima e ofegante, desse sonho, exatamente na posição que estava no sonho quando ele começou, e não saí dele, nem com o pesadelo que tive quando voltei a dormir.
Depois de ler um pouco, saí do quarto para comer, conversei com o Seu Tião, mas sempre com aquilo na cabeça...
Contei para o Capi, que estava no trabalho, meu sonho, e fui buscá-lo. Não tive nenhuma vontade de me vestir inteira, se estivesse calor com certeza iria nua, então coloquei uma calça de moleton e um casaco, sem blusa, sutiã, nada por baixo.
Havia uma mística toda, algo inexplicável, na minha sensação. Fui pensando no sonho e quando ele entrou no carro, o beijei de uma maneira forte, louca, com algo de primeira vez, abri o casaco e mostrei minha nudez, e ele tocou meus seios, os chupou, e fomos para casa...
Havia algo de muito muito diferente naquilo tudo, eu fui perdendo as palavras...
Entramos em casa e fomos nos beijando de maneira tão alucinada, que me lembrava todo o tempo a nossa primeira vez...entramos e arrancamos a roupa, os óculos, ascendemos o abajour e eu subi em cima dele, numa sensação inebriada, muito forte, que me trazia a memória flashs daquela primeira noite em que tudo começou...Eu comecei a sentir que estava perto do orgasmo quando senti minha barriga muito dura, dolorida, e senti um êxtase tão grande, e aquilo foi tomando conta de mim, a dor e essa sensação maluca, e eu queria apertar, expandir, abrir, queria tudo, e via cores difusas, via aquele corpo de homem enquanto apertava, arranhava e mordia aquela pele morena...E minhas mãos se esticavam para cima como quem busca algo nos céus, a dor aumentava e o êxtase também, e eu gemia e gritava, até que me joguei na cama e deixei-me aberta, senti penetrar-me de uma maneira louca...e fui sentindo um prazer alucinante, e mais umas contrações, que doíam e me deixavam maluca, de repente eu queria sentir-me parindo, e fazia uma força na barriga, sentia-o descendo e queria-o todo aqui, e ficamos assim um tempo, até que ele se jogou na cama e ficamos os dois abraçados, e ele me falava um monte de coisas bonitas que eu não conseguia entender direito, e eu ainda sentia minha barriga contrair, e meu corpo contraía junto, e eu gritava e empurrava a parede, e de repente senti minhas pernas tremendo, tremendo, tremendo, e um êxtase, e minha barriga contraía e doía...fiquei um tempo completamente maluca, olhando o quarto, os tijolinhos, a cortina, e eu me tocava e estava ainda molhada, inchada...
Eu enlouqueci hoje.

Imaginação do parto

Não consigo desvencilhar o momento do parto de algo ritualístico, profundamente artístico e sexual...Artístico e sexual(na verdade essas duas coisas p/ mim tem uma relação quase indissociável) por expandir os sentidos do corpo, por mexer nos cinco sentidos, aguçá-los, alterá-los...Quero muito estimular meus sentidos para sentir esse momento, e na verdade o único sentido que eu quero fechar mais é minha visão, porque acredito que a visão é um sentido tão forte que acaba por nos fechar um pouco dos outros, por isso eu acredito que talvez fique de olhos fechados em muitos momentos...Quero estar com o mínimo de roupa possível, porque quero ter o máximo de pele livre para sentir tudo que me cerca; o calor do aquecedor, a água da banheira, os lençóis da cama, o chuveiro, as toalhas, as mãos das pessoas que me cercarem para me dar força, e principalmente os cabelos, os pêlos, a barba e a pele do Capi me abraçando e me beijando...Falando em Capi, quero sentir seu cheiro, que me dá uma imensa confiança, sua respiração bem pertinho, as mãos pelo meu corpo me fazendo sentir amada...Gosto muito da idéia de incensos pelo quarto, com vários cheiros diferentes, mas não o tempo todo, e de sentir um cheirinho de comida e café típico aqui de casa, que me fizesse sentir acolhida...Quero estimular meu paladar com melancias, chupando uma manga madura, côco, chocolate, alfaces e legumes refogadinhos, tudo que há de doce e mágico...E o som, sem muitas palavras, o som que me ressonar na alma, berimbau, os mantras, algo do Paco de Lucía, Uakti, e uns outros sons nada verbais, o som do meu sapato alucinado no chão...Sem muitas palavras, sem muito barulho de celular nem nada do gênero, o "silêncio das línguas cansadas"...ai, olha eu imaginando isso, que coisa de sonho.=)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A bobagem do parto humanizado

Pessoal,
Compartilho com vcs a carta aberta da Rede Parto do Princípio a Alexandre Garcia, que fez declarações absurdas sobre parto humanizado na CBN.

Bom, de imbecis na medicina, em especial quando se envolve a autonomia e a força da mulher nessa merda de cultura machista em que estamos, o mundo está cheio....

Beijo

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Carta Aberta a Alexandre Garcia

Considerações sobre a "bobagem" do Parto Humanizado
Quem está brincando com a saúde?

Caro Sr. Alexandre Garcia,

Somos mulheres ativistas da Rede Parto do Princípio, uma rede nacional, com mais de 100 mulheres por todo o Brasil, que luta para que toda mulher possa ter uma maternidade consciente e ativa através de informação adequada e embasada cientificamente sobre gestação, parto e nascimento.

É com profundo pesar que recebemos em pleno dia das mães uma fala cheia de preconceitos sobre a maternidade em um veículo de comunicação pública.

Diante de sua fala, nota-se o profundo desconhecimento das políticas de controle de infecção hospitalar, como também da legislação que garante a toda mulher o direito à presença de um acompanhante de sua livre escolha no pré-parto, parto e pós-parto imediato. Não é só uma "bobagem" do Ministério da Saúde. É lei (Lei Federal n° 11.108 de 2005). Uma lei que vem sendo sumariamente descumprida por todo o país.

Transcrição realizada a partir do áudio disponível em:
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm

"[...] eu tô criticando essa bobagem do Ministério da Saúde de parto humanizado... será que vão deixar entrar um pai na sala cirúrgica pra infectar a sala cirúrgica? O pai barbudo, cabeludo, bêbado, sei lá o quê, mas enfim... hã... vestido com... com poeira da rua numa sala cirúrgica? Isso é um absurdo. Ah, mas é o parto de cócoras... tudo bem, peça para sua mulher fazer um parto de cócoras pra ver o que vai acontecer com o joelhos dela, não é índia, nã... vão... vão acabar... É um sofrimento. Ah, porque as cesárias... eu disse olha... que ele mesmo concorda que o... o serviço público as cesárias só é feita [sic] em último caso... é parto normal normalmente... não precisa ficar anunciando que o hospital do Gama vai ter isso [...]"

Existem normas de controle de infecção hospitalar que devem ser cumpridas por toda a equipe de saúde, pelos pacientes e por seus acompanhantes. Independente se são "cabeludos", "carecas" ou "barbudos". Seguidas essas normas, não há porque restringir o acesso do acompanhante. O direito da mulher não pode ser violado a partir de discriminação, de preconceito.

Várias pesquisas comprovaram que a presença do acompanhante no parto proporciona uma série de benefícios como: maior sentimento de confiança, aumento no índice de amamentação, diminuição do tempo de trabalho de parto, menor necessidade de parto cirúrgico, menor necessidade de medicação, menor necessidade de analgesia, menores índices de escores de Apgar abaixo de 7, menor necessidade de parto instrumental, menores taxas de dor, pânico e exaustão, entre vários outros benefícios. Diante desses indícios, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza, desde 1996, a presença de um acompanhante para a parturiente.

E isso não é bobagem. São pesquisas científicas.

Hoje, existe a possibilidade da mulher escolher a melhor posição para o parto. De posse de evidências científicas, muitos profissionais não mais recomendam uma única posição, mas permitem que a mulher encontre a posição mais confortável para dar à luz. Para a posição de "cócoras", que é como são chamadas algumas posições verticalizadas, existem apoios e banquetas. Há também muitas mulheres que conseguem ficar de cócoras sem comprometer os joelhos, mesmo as não-indígenas.

"[...] O ministério da saúde não fez só isso não. O Ministério da Saúde tá estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o Ministério da Saúde vá fazer uma... uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e respingar sangue nele pra ver o que vai acontecer. É uma... é uma maluquice. Tão fazendo uma brincadeira com a saúde... Tá lá escrito na instituição a saúde é direito de todos e dever do Estado. O Estado não está cumprindo seus deveres com a saúde... e os problemas são de gestão, são administrativos.[...]"

Atualmente, diante de assistência médica adequada, nós mulheres podemos ter uma gestação e um parto mais seguros tanto para nós, quanto para os bebês. Inclusive as mulheres HIV positivas. Existem protocolos, embasados cientificamente, para os atendimentos às soro-positivas que evitam a transmissão vertical do HIV. Todos nós temos direito à reprodução. Existem também protocolos de rotinas que protegem a equipe de saúde para que não tenham contato com sangue ou secreções; e de providências caso haja algum acidente. E isso não é maluquice. É biossegurança.

E se o Estado está tomando providências para que o pai mais "barbudo" possa acompanhar sua esposa no nascimento de seu filho, e para que pessoas como eu, como os soro positivos e até como você possam ter fihos e netos em segurança, isso não é "bobagem", isso é dever do Estado.

Mas se o senhor ainda tiver críticas à "bobagem" do Parto Humanizado ou aos partos das mulheres soro positivas, por favor, embase suas considerações com argumentos fundamentados cientificamente. Porque disparar informações incorretas em meios de comunicação pública é anti-ético e um descalabro. E é vergonhoso.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Rede de Mulheres Parto do Princípio
www.partodoprincipio.com.br

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Transcrição CBN
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm

Sexta, 07/05/2010

Estado não está cumprindo seus deveres com a Saúde

Estevão: Alexandre Garcia, bom dia.

Alexandre Garcia: Bom dia, Estevão.

Estevão: Alexandre, na entrevista que fizemos semana passada com o governador Rogerio Rosso, obviamente, foi destacado durante a conversa esse plano que ele desenhou para a área de saúde... que diz respeito a uma autonomia para os gestores das unidades hospitalares. Só que, criou-se aí um grupo que vai definir o montante que cada unidade de saúde terá, então isso demora né? Quando cria-se esse grupo de trabalho, demora... enquanto isso... o caos impera.

Alexandre Garcia: Demora tanto que o Arruda já tinha anunciado isso. Pois é, o Arruda já tinha anunciado isso, por isso que demora. Até hoje não foi feito, hã. E o que... o problema é de gestão mesmo... não é possível que falte esparadrapo em hospital, e não é só em hospital de base não. Tá faltando tudo em toda parte, falta buscopan, falta soro, falta glicose... falta o básico... coisas... faltam sondas para fazer cirurgia, faltam lâminas de... de... de bisturi. Eu tava conversando agora de manhã com o secretário de saúde e ele me disse ah que eu peguei uma bomba que foi acumulada durante oito anos. Eu disse, ó, seu secretário, tem que romper esse círculo vicioso, o problema é gestão mesmo, tem que resolver essa história... aí, ele... ah... porque a conversa começou, eu criticando... eu disse pra ele assim... olha, eu vi aqui um anúncio do... eu tô criticando essa bobagem do Ministério da Saúde de parto humanizado... será que vão deixar entrar um pai na sala cirúrgica pra infectar a sala cirúrgica? O pai barbudo, cabeludo, bêbado, sei lá o quê, mas enfim... hã... vestido com... com poeira da rua numa sala cirúrgica? Isso é um absurdo. Ah, mas é o parto de cócoras... tudo bem, peça para sua mulher fazer um parto de cócoras pra ver o que vai acontecer com o joelhos dela, não é índia, nã... vão... vão acabar... É um sofrimento. Ah, porque as cesárias... eu disse olha... que ele mesmo concorda que o... o serviço público as cesárias só é feita em último caso... é parto normal normalmente... não precisa ficar anunciando que o hospital do gama vai ter isso. Aliás, o hospital do gama neste momento tá exportando pacientes pra outros hospitais porque anunciaram que tá maravilhoso mas não deve tá tão maravilhoso assim porque muitos hospitais tão exportando pacientes aqui pro plano... plano piloto... que a coisa não tá funcionando direito, nê? Em parte alguma e falta tudo. Agora eu fico me perguntando como o médico vai trabalhar? O ministério da saúde não fez só isso não. O Ministério da Saúde tá estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o Ministério da Saúde vá fazer uma... uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e respingar sangue nele pra ver o que vai acontecer. É uma... é uma maluquice. Tão fazendo uma brincadeira com a saúde... Tá lá escrito na instituição a saúde é direito de todos é dever do Estado. O Estado não está cumprindo seus deveres com a saúde... e os problemas são de gestão, são administrativos.

Estevão: Ô Alexandre, nessa conversa que você teve agora pela manhã com o secretário de saúde ele... como você já adiantou é... disse que herdou uma bomba, né? Que está sendo ativada há alguns anos. O que você sentiu dele? Ele tá otimista, tá pra baixo? Isso vai se resolver?

Alexandre Garcia: Ele... ele tá dinamizado, ele tá energizado. Ele tá querendo fazer as coisas. Ele... ele é de carreira, da fundação, ele é médico... é do ramo sim... agora, eu não sei se uma pessoa sozinha consegue resolver isso tudo. Tem que ter muito poder na mão, tem que ter recurso. O governo federal manda recurso, os recursos vão pra outro lugar. Tanto que... o que... o que a CGU nesse momento tá... num... tá recebendo aí o governador Rogério... Rogério Rosso mandou informações... mas...ah... não tão acreditando... porque é um descalabro o que aconteceu aqui... um escândalo vergonhoso, nã?... de dinheiro na mão, dinheiro nas cuecas, dinheiro nas meias... e aí falta pra saúde desse jeito que tá faltando. E que significa vida e morte pras pessoas... eu acredito que isso não é apenas um... um crime de desvio, isso é um crime contra a vida o que está se praticando contra a saúde aqui no Distrito Federal.

Estevão: Alexandre, bom fim de semana, até a segunda.

Alexandre Garcia: Bom fim de semana a todos, até segunda, Estevão.

Referências Bibliográficas:

BRÜGGEMANN, O. M.; PARPINELLI, M. A.; OSIS, M. J. D. Evidências sobre o suporte durante o trabalho de parto/parto: uma revisão da literatura. Cadernos de Saúde Pública, 21 (5): 1316-1327, Rio de Janeiro, 2005.

DRAPER, J. Whose welfare in the labour room? A discussion of the increasing trend of fathers' birth attendance. Midwifery 13, 132-138, 1997.

GUNGOR, I.; BEJI, N. K. Effects of Fathers' Attendance to Labor and Delivery on the Experience of Childbirth in Turkey. Western Journal of Nursing Research, vol 29; March, 2007.

KLAUS, M. H.; KLAUS, P. H. Seu Surpreendente Recém-Nascido. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria MS/GM nº 2.616 de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da União, 13 de maio de 1998.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo para prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis. Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. Brasília, Ministério da Saúde, 2006.

NAKANO, A. M. S.; SILVA, L. A.; BELEZA, A. C. S.; STEFANELLO, J.; GOMES, F. A. O suporte durante o processo de parturição: a visão do acompanhante. Acta Paul Enferm 20(2): 131-7, 2007.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, Maternidade Segura, assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra, 1996.

STORTI, J. P. L. O papel do acompanhante no trabalho de parto e parto: expectativas e vivências do casal. Dissertação (Mestrado em Enfermagem em Saúde Pública) - Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2004.

ZHANG, J.; BERNASKO, J. W.; LEYBOVICH, E.; FAHS, M.; HATCH, M. C. Continuous labor support from labor attendant for primiparous woman: A meta-analysis. Obstetrics & Gynecology vol. 88 nº 4 (2), 1996.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Carta a polis

Carta dedicada a alguns amigos, alguns colegas de sala e ao grupo "Não sou massa de manobra", em relação a minha atuação política.

Caros amigos,

Esta carta é uma breve despedida. Tenho sentido uma necessidade enorme de me concentrar em algumas questões, e no momento, é isso que irei fazer.

A política de grupo, na universidade, na sala de aula, na rua, nos movimentos populares, é sim o que quero fazer de minha vida. Esse foi o caminho que escolhi.
E escolhi também criar uma pessoa, um tipo de "nano" política no menor coletivo que existe em nossa sociedade: a família.

Estou há uns 8, 9 meses gestando um bebê. Mas estou gestando também uma mãe, que se constrói a cada passo dessa caminhada cheia de emoções, aprendizagens, medos, delícias, dores, prazeres...E o Capi está gestando também um pai. Nasceremos todos em alguns instantes, que pode ser daqui a meia hora ou daqui a 5 semanas...

E estamos nos preparando para isso, os três. Nessa gestação da mãe, eu descobri outras facetas de ser mulher, outras coisas para questionar no mundo, outras formas de política...Eu estou me construindo, me formando enquanto mãe, refletindo muito sobre tudo, pois agora não é para o mundo que eu quero transformar, não é para mim, não é para meus amigos: é para meu filho. E agora não é pela minha simples coerência política que eu tenho que vigiar minhas atitudes: agora eu tenho um ser que vai absorver tudo de mim, que vai me olhar como um exemplo. E essa responsabilidade, esse sentimento é mais forte que tudo, isso dá uma força para transformar a si mesmo que é impossível dimensionar a quem não passou ainda por isso.

E aí vão horas do meu dia pensando em fraldas de pano, alimentação vegetariana, plantar em casa, RA's em portarias, projetos para nossas vidas, educação não machista, não racista, não homofóbica, como fugir de roupas de bebê que parecem roupas de escritório, vacinas, educação política, escola, leis, parto, saúde de crianças, arte p/ crianças, como as nossas famílias interferem e como lidar com isso, o que é essa unidade de grupo chamada família, a importância de não abaixar a cabeça para as coisas, como ter essa postura sem perder o meio de ter a comida, o médico...
E mais um monte de coisas a preparar para essa criança que chega, a casa, o ninho, os novos hábitos, os novos horários...

Tudo isso me tem tomado um tempo enorme, uma energia enorme, e me sobra pouco para qualquer outra coisa. Preciso agora me recolher, temporariamente, porque não quero fazer nada pela metade(não vejo muito sentido, por exemplo, em seguir em reuniões aos trancos e barrancos nesse começo de bebê e usar fraldas descartáveis, por exemplo). Preciso guardar as poucas energias que tenho para não perder meu semestre(ah, que tentação enorme trancar, quase fiz isso ontem de manhã..), já que eu não quero alongar muito esse tempo de terminar o curso para poder ir trabalhar logo...

Não perderei contato com vocês, volto assim que nós nos adaptarmos ao Pietro e ele a nós, o que pode demorar 2 meses como um tempinho ainda...

Muito aprendi e aprendo com todos vocês, e tudo isso é muito importante na minha construção enquanto mãe, mulher, sujeita política, amiga, porra louca...Sou grata todos os dias a todos vocês...

E podem contar comigo, porque se eu já era briguenta e brava, mãe eu tô virando leoa!heheheh

Até...

Beijos com vontade de chorar...

Isa

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Adriane Galisteu, cesáreas, e padrões de beleza

olha, um post que saiu sem querer!

Rolando uma discussão no grupo de emails de gestantes/mães pelo parto humanizado que participo sobre a Adriane Galisteu declarar abertamente que já marcou a cesárea...Aí a galera começou a discutir, e falar dessa imagem da cesárea como salvadora da dor e de "estragar a mulher", como se o parto normal fosse uma dor absurda e estragasse a vagina...

Pois é sobre isso que eu acabei escrevendo...

Aí vai o email que mandei no grupo:

O que estraga mesmo a mulher não é parto, nem celulite, nem estria, nem gordurinha, nem falta de gordurinha, nem peito pequeno, nem peito grande, nem quadril largo, nem quadril estreito, nem TPM, nem mesntruação...

O que estraga a mulher é a opressão a que nos submete essa sociedade maluca, que nos submete a um corpo midiático, nos submete a nos encaixar em padrão de beleza, de sexo, de desejo, nos restringe a buscar o prazer e o conhecimento do próprio corpo, nos enche de vergonha quando estamos com tesão, sem tesão, nos enche de vergonha quando menstruamos, quando não menstruamos, quando nos mantemos virgens, quando queremos todos os homens do mundo...

E diga-se de passagem, isso tudo estraga o homem também.

Nem cesáreas e nem partos normais nos estragarão. Nos estraga é acabar com o que somos, nos esvaziar da humanidade e da sexualidade que temos e restringir nossa capacidade de dar prazer ao outro e a si mesma a uma buceta apertada, uma coisa tão valorizada que nem sei porque não é padrão ser virgem aos 40 anos, e encheram tanto o saco da Sandy(desculpem o palavrão, mas não podia usar outra agora).

E a Adriane Galisteu está só cumprindo o papel dela de produto de mercado, nada menos surpreendente que isso. Afinal, onde nos espelharemos para desacreditarmos nas nossas diferentes belezas e na nossa capacidade de ser inteira por ser mulher? Onde produziremos as mulheres quebradas que o machista do Freud via espalhadas por aí?

Curiosamente, estudos sobre sexualidade humana dizem que as mulheres vão progressivamente gostando e tendo mais prazer no sexo conforme o tempo passa, e que a gravidez é um ótimo período para isso, e que depois de uma gravidez temos uma maturidade sexual bem maior.

É só...

Beijos...

Isadora, 37 semanas do Pietro, que prefere continuar a comer chocolate a não ter estrias e que confia bastante que o sexo só melhora com o tempo e com o parto.

E para quem duvida que o Freud fala isso, é só ler ""Algumas consequências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos"...Abominável, deplorável...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma poesia de chegada

Olá pessoal...
Na altura das minhas quase 37 semanas, ando numa fase meio improdutiva e cansada...Com a cabeça cheia e sem conseguir mesmo tirar a atenção do meu corpo...
Por isso ando pegando coisas bacanas por aí e vou compartilhá-las com vcs.
Uma é este poema, feito pela materna Anna Marcia antes de dar a luz ao Mattias...
Bem vindo, menino lindo!
Até!!


Carta ao Mattias 30.04.2010

Deixa eu falar
Que hoje eu to mais cheia que a Lua
Que a nossa primeira orquídea desabrochou
Que toda noite me penso se será a tua
E de manhã eu vejo que você não chegou

Mas escuta que aqui fora eu juro
Que não tudo é sempre escuro
Que às vezes o melhor mesmo é chorar
Até perceber que a noite também tem luar

Mas hoje eu sinto o sol
Que faz nutrir a flor
E hoje, ao por-do-Sol
Será que EU suporto a dor?

Será que a Lua ela mesma adivinha
Se já é hora de se deixar minguar?
E escondida se fazer novinha
Antes que cresça alguma noite a brilhar?.....

Do mesmo jeito que a flor se abria
Ao calor do Sol essa manhã
Me diga, Lua, se o Sol permitiria
Que minha flor se abrisse, dessa noite pra amanhã...