sexta-feira, 23 de abril de 2010

In...

Chego ao fim da gravidez...
35 semanas, logo logo teremos um pequeno entre nós...
A sensação?
Na verdade a sensação que perpassa a gravidez toda, e nesse final vem absolutamente mais forte, é a volta ao próprio corpo, ao eu...É um movimento introspectivo, a gravidez toda é assim.
Mas esse final é mais ainda; parece que eu vou juntando minhas coisinhas, canalizando minhas sensações, minha atenção, para preparar meu corpo, minha mente e meu espaço p/ esse serzinho que está dentro de mim...
E é meio estranho, eu vou perdendo a vontade de sair de casa, do meu quarto, fico concentrando minhas energias todas...Durmo mais, fico horas lendo sobre cuidados com bebês, e mais horas imaginando como ele é, e mais horas e horas num tesão tão centrado no meu próprio corpo...É um preparativo para o parto, para a abertura total de meu ser, a chegada desse pequenino...
É estranho como a mentalização de dor e prazer se misturam tanto agora, na minha imaginação. E é estranho esse movimento tão introspectivo...
As coisas ainda me inflamam, mas eu ando passando longe do fogo. Me volto aos meus fluidos, ao ar que circula dentro de mim, à terra de que é feito o meu corpo...Mas nada como as águas...
Eu preciso dançar, embora não consiga por causa de meus sapatos que não entram nos meus pés inchados, dançar porque nada é mais introspectivo de tudo o que faço do que a dança. Eu me calo, eu esqueço as palavras, eu perco a razão, eu só consigo prestar atenção no meu corpo e no som que o guia. E isso é na verdade bem parecido com esse processo todo do fim da gravidez...

Isso é tudo muito maluco, muito mágico...

Me despeço agora. Meu corpo pede cama, meus olhos ensaiam fechar. Minha respiração se aprofunda e meus músculos inteiros se amolecem...

domingo, 18 de abril de 2010

O corpo das mulheres como campo de batalha

Sem muito tempo p/ escrever, entre dormir e estudar um bilhão de coisas p/ entregar antes do Pi chegar...Posto este texto que eu achei do caralho, muito bom mesmo...

Boa leitura, caros!

Bjo, Isa

Os corpos das mulheres como campo de batalha

Depois de uma recente viagem à Palestina, fiquei fortemente impressionada com o altíssimo índice de natalidade existente entre as mulheres palestinas. Elas, nas reuniões que mantivemos com as suas associações, explicavam-no como uma nova forma de luta pelos seus direitos, como um novo feminismo, além de ser considerado como um dever patriótico. Mas, apesar disso, custava-me muito a entender até que passados uns dias li, num documento que caiu em minhas mãos, que a verdadeira questão é outra. Trata-se de uma estratégia política para poder manter a separação demográfica com Israel. Desta maneira também integram a luta contra o Estado ocupante, no seu próprio corpo de mulheres.

Tendo em conta que Israel também realiza políticas ativas para o crescimento demográfico, deparamo-nos com o fato de que tanto os dirigentes palestinos como os judeus estão a utilizar os corpos das mulheres como campos de batalha, sem ter em conta as suas próprias decisões pessoais, nem o direito de poder decidir sobre o seu próprio corpo. Deste modo posso entender o grande número de meninas e de meninos palestinos mortos na ofensiva de Gaza. Não se trata só de destruir, trata-se de matar gente, para assim evitar que no futuro continuem a reproduzir-se. Parece-me tudo tão complicado, tão agressivo, tão doloroso, que embora entendendo-o, continuo a achá-lo uma barbárie.

Nós, mulheres, temos direito a decidir livremente sobre o nosso corpo e nenhum Estado nem nenhuma estratégia deverá impedir-nos de sermos senhoras absolutas dele. Mas vejo que não é assim e que continuam usurpando a nossa intimidade, a nossa capacidade reprodutora em nome dos interesses de outros. E, o que é pior, tudo isso negando-nos a capacidade de ter prazer.

E de novo surgem da escuridão, como fantasmas, os dogmas das religiões, de qualquer delas. São eles, os dogmas, os ritos e as crenças religiosas que impedem as pessoas de terem uma certa objetividade no olhar à sua volta, tornando-as sectárias e dogmáticas, dispostas a tudo para defender esse deus que representa a sua essência vital. Devido a esse sectarismo religioso, de qualquer cor, têm surgido guerras e ao longo da história sempre se repetiu o mesmo padrão: a defesa intransigente dos éditos religiosos contra outras crenças ou contra o questionamento desses mesmos éditos.

E tanto derramamento de sangue sempre tem levado, em paralelo, à utilização dos corpos das mulheres, quer como armas de guerra, com violações e humilhações de todos os tipos, ou fazendo-as parir para dar mais filhos à causa em jogo. Ou acaso não recordamos a limpeza étnica da última guerra dos Bálcãs?

Com o cinismo que caracteriza os que conscientemente defendem as causas injustas o presidente dos EUA, Barack Obama, lançou aos quatro ventos os seus argumentos para continuar as guerras sem fim. Desde a sua chegada à Casa Branca, o “hierarca” do Império continuou a enviar tropas para o Afeganistão, sabendo que os bombardeamentos afetam principalmente as populações civis desarmadas. Alguns dias antes de receber, em Oslo, o prêmio Nobel da Paz, ordenou que trinta mil soldados incorporassem as operações bélicas na Ásia. Entretanto, ele disse coisas como: "Nas últimas seis décadas os EUA têm garantido a paz mundial" e que “é necessário o derramamento de sangue para preservar a segurança”. Argumentos semelhantes esgrimia Adolfo Hitler quando justificava a expansão criminosa da Alemanha para preservar o "espaço vital", ou José Stalin quando assinou o pacto com Hitler.

A lógica de lançar os povos para as guerras e submetê-los aos seus horrores, tem sido e continua a ser a cartada dos assassinos em série da história. Recordemos a invasão russa da Hungria em 1956, as múltiplas Incursões dos EUA na América Latina, desde Monroe, mais tarde o big stick de T. Roosevelt, os envios de tropas para a Coréia e Vietnam de J.F. Kennedy, da Primavera esmagada de Praga pelas tropas do Pacto de Varsóvia, do massacre de Tlatelolco no México, as guerras intermináveis na África, alimentadas a partir das Metrópoles européias, EUA, ex-URSS, China, etc. As ditaduras latino-americanas perpetuaram genocídios com seqüelas ainda latentes. Obama procura justificar a continuidade do terrorismo de Estado à escala global, dizendo que "o uso da força militar não é apenas necessário, mas moralmente justificável para alcançar a paz. Claro, como diria Walter Benjamin, a moral dos opressores.

Certa vez, o filósofo Herbert Marcuse disse que se calhar a última vez que se combateu pela liberdade e justiça para os povos foi na Espanha revolucionária em 1936, enfrentando o fascismo.

Sabemos que os povos continuam a lutar por aquelas causas em muitas latitudes e que não se submeterão facilmente só para dar as suas vidas pelos interesses dos ricos e opressores. Talvez ali possa ser sido o ninho da germinação de sociedades que possam alguma vez arquivar o apróbio desses tempos sombrios. As mulheres eram violadas, raptadas e forçadas a parir em condições tão terríveis para as “desonradas” perante as suas famílias… e aceitar um filho, neto ou sobrinho, engendrado pelo agressor?

É terrivelmente doloroso para mim ter que aceitar que estes acontecimentos ocorrem, que estão ocorrendo agora mesmo em qualquer conflito armado ativo no planeta. Pensar nos corpos das mulheres como campos de batalha onde se redimem conceitos como Estados, comunidades, ou congregações, parece-me uma barbaridade difícil de aceitar, mas é o que está a acontecer. A dor da aceitação desta realidade implica um compromisso contra tais situações. E uma maneira de combater essa realidade inaceitável é dando-a a conhecer na sua plenitude.

Assim, as mulheres da Palestina, e tantas outras mulheres do mundo, continuarão a ver arrebatarem-lhes a decisão sobre algo tão íntimo como o seu corpo, e sobre a sua relação com ele, assim como a decisão de serem mães ou não, continuarão a serem usadas como campo de batalha onde construirão a ansiada nação palestina livre, mas a que preço?

Tere Molla

tmolla@teremolla.net

Fonte: El Libertário Nº58 - Venezuela

Tradução > Liberdade à Solta

segunda-feira, 12 de abril de 2010

As pulseirinhas do sexo

A novidade do momento são umas pulseiras coloridas que os adolescentes usam para brincar de sexo.
Claro que isso ia dar bafafá...
Penso eu: que merda, mais um uso mercadológico do desejo, vc comprar pulseirinhas e transformá-las em febre, mais uma vez o sexo usado pelo mercado, a falta de liberdade que há no mercado, a democracia burguesa, blá blá blá...Eu poderia falar durante algumas horas, como toda boa vagabunda feminista de esquerda porra louca anti-propriedade privada, sobre isso. Mas acho que isso não me despertou suficiente revolta acerca das pulseirinhas...O problema do qual eu vou falar é um pouco mais profundo.

Ocorreram alguns casos de estupro de meninas por causa das pulseirinhas. Absurdos horrorosos, com meninas de todas as idades, estupros por vários meninos... Bom, a discussão é claro que foi parar nos caros direitosos religiosos puritanos puros e castos, que adoram consumir os filminhos lá na lojinha que eu vou comprar brinquedos... Enfim, estes últimos vieram com a solução: proibamos as pulseirinhas!!!

A resolução foi aprovada em algumas cidades, e o pessoal discute, sejam contra ou a favor, se isso é caso de se proibir as pulseirinhas, se não deve ser o controle feito pelos pais..O problema central p/ esse povo e p/ o senso comum são as pulseirinhas, claro, se não fosse por elas, nunca ocorreriam estupros...

Será?

Isso é ridículo! As pulseirinhas são uma manifestação do desejo - aliás, algo naturalíssimo para a faixa etária, principalmente com a erotização excessiva e padronizante que o mercado traz. Se os jovens se manifestam por elas é porque é isso que eles tem. É pelo mercado hoje que se dá a (des)educação sexual, e é por ele que o jovem pode se manifestar sem um adulto babaca arregalando os olhos em reprovação com as mais bobas perguntas...Aí dá a merda que dá, porque o mercado dita o que deve ser o desejo, como manifestá-lo, como temos que ser para sermos desejáveis..."depois, aprende por aí/que nem eu aprendi/ tão distorcido que é uma sorte eu não ser pervertido". Mas o mercado não briga tanto com a moral que permeia os cérebros de nossa cultura: porque tudo tem espaço p/ ser escondido. Aí está!

O que significa proibir a pulseirinha? Esconder o desejo. Escondê-lo porque os adultos, sejam os pais, os professores, os padres, ficam estarrecidos por completo com o desejo do jovem. E tem mais: ficam estarrecidos com o desejo dA jovem. As pulseirinhas serem usadas por meninas com certeza choca. Como as nossas mini-saias, nossos sutiãs pretos em blusas brancas, as calcinhas que aparecem por baixo das saias entre as pernas abertas, nosso esmalte e batom vermelhos na escola, nossos palavrões, nossos decotes, nossos cabelos pintados...

Colocar a culpa dos estupros nas pulseirinhas vem do mesmo raciocínio que se faz ao colocar a culpa na mulher que manifesta seu desejo. A pulseira só é culpada para o adulto(veja, mas para o menino que a estuprou, a culpa já é da menina) ao invés da menina, porque o adulto não reconhece a possibilidade de sua sexualidade e seu desejo - é um círculo viciante. Depois o adulto não sabe de onde o menino que estupra por uma pulseirinha tirou a idéia de que se a menina manifestou desejo, ela pediu por isso e merece.

Nem é revolta só o que eu sinto vendo isso não - é lembrança mesmo.

Somos educadas para calar nosso desejo, e os meninos são educados para achar que manifestação de desejo é passe livre para provar que são os machões da vez - e claro, eles tem que ser o machão, que nem o papai. E no fim, nem nós meninas podemos nos manifestar, nem os meninos podem não querer ser...Porque se o menino quebrou a pulseira e não exigiu o seu "direito"...É um fracote, uma bicha, um ser menos valorizado socialmente.

E no fim, cá estamos nós presos a mesma merda de moral machista, que oprime meninos, meninas e adultos, trazendo a infelicidade geral, a culpa, e acabando com o desejo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Manifesto anti mediocridade acadêmica.

Essa rotina estudantil, aula, aula, aula, trabalho, trabalho, trabaho, texto, texto, texto...

Cada aula com suas teorias de que a educação está cheia de problemas, mil teorias de qual é problema e como se resolve, lemos mil textos e escrevemos mil trabalhos sobre isso...
Rotina que nos acrescenta, nos faz refletir, nos faz pensar e trasformar, partir para a ação, né?

NÃO!! Rotina que nos entedia, estagna, e imobiliza.

Discursos n, lindos, revolucionários, mas na hora do vamos ver, é sempre a mesma ladainha: lemos dez vezes a mesma coisa, chegamos na aula e ouvimos o professor ruminar o texto, isto é, quando ele vai, porque além de tudo ele nem sempre vai dar aula - vide a invasão dos PED´s do doutorado, estes que são obrigados a ruminar o texto de novo e são jogados sem nenhuma orientação para dentro da sala de aula, e ainda por cima, depois de todo o blá blá blá de se dizerem contra avaliações punitivas, provas, o blá blá blá de pesquisas que consomem e rendem muito dinheiro, advinha o que nos dão???Provas e trabalhos em que temos nós que ruminar a matéria!!! E ainda nos reprovam por falta, falta numa aula que não nos acrescenta em nada!

Se chegamos na aula com os textos lidos, cheios de idéias e vontade de discutir, o que temos? Um professor com um power point ruminando o texto, e quando finalmente conseguimos abrir brecha para discutir algo, a discussão é tolhida para voltar ao maldito power point... Agora me diz, para que ler e estudar uma bibliografia imensa se eu vou chegar na aula e ter tudo mastigado? Depois falam que o problema é deixar texto no xerox!! Será? Se de um lado temos gente lendo Crepúsulo na aula, gente reclamando de estudar muito porque perdeu o fim da novela, temos professores que não nos levam a sério e não nos exigem cérebro. São pares perfeitos!!

Chega, eu não aguento mais!
E o pior é nos deixarmos levar nessa mediocriade circular e viciante, e reclamarmos pelos corredores, mas abaixarmos a cabeça a cada aula...Isso sem falar nos puxa-saco, que repetem o discursinho esquerdista e "lutador" só para ter orientador, mas não questionam a postura incoerente que não tem absolutamente nenhuma perspectiva de mudança desses professores revolucionários de gabinete.

Estou de saco cheio! Chamo a todos aqueles que querem uma formação acadêmica digna, que não se conformam e não querem abaixar as cabeças, que não admitem que sejamos tratados como um bando de medíocres, que nos unamos para discutir o assunto.

Aguardo contato.

domingo, 4 de abril de 2010

Sugestão de vídeo e blog

Sugestão do meu amigo Thiago p/ Coletivo "Não sou massa de manobra"...
Não resisti, preciso compartilhar...
Será que um dia eu chego lá?

http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms

O blog dele, que eu não vou ter tempo de ler por enquanto...
http://observareabsorver.blogspot.com/

Até!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Transgressão da consciência

No meu corpo ainda sinto o cheiro de ontem.
O alecrim, o sal, o morango, as uvas, o incenso...
Meus lábios ainda palpitam, pulsam, sensíveis, e ainda dura o gozo...
Meu bebê chuta feliz, se move, está mais vivo, vibrante, dançante...
É como se os corpos ainda passeassem diante dos meus olhos, se movessem e se tocassem, num baile lindo a meia luz...

Mas mesmo leve, leve na minha nudez e na minha liberdade, não consigo parar de pensar no quão triste é a vulgarização do sexo. Sexo não é algo a ser proibido, controlado, mensurado, jogado no limbo em que o joga a moralidade cristã. Desejo não tem regra, e sexo não tem moral. Sexo tampouco é um produto de mercado, uma piada, um trampolim de status social, um ato que só pode ser bonito entre dois corpos sarados de academia.

Sexo é algo transcendente aos sentidos, um impulso do desejo, uma intimidade sem tamanho. Sexo é uma transgressão da consciência, o conhecer mais íntimo que se pode ter do outro, o grito mais alto de liberdade.

Não se pode fazer sexo sem respeito, sem espaço ao desejo do outro, sem abrir os sentidos para sentir o outro...Sexo é a exploração absoluta de todos os sentidos; sem os sentidos abertos, como iremos sentir por onde podemos penetrar o outro? Ver seu desejo, senti-lo, tocá-lo, querê-lo, realizá-lo?

A Unicamp e o Dia Internacional da Mulher

Pois é, hoje abro meus emails e recebo um email de uma colega de classe com um vídeo "lindo" feito pela Unicamp para o 8 de março.

Enquanto isso a Unicamp resolve punir sumariamente estudantes e manda 3 viaturas de segurança do campus para uma reunião de nosso grupo político na universidade, no "seguro" horário das 23h...

Enquanto isso meninas são estupradas pelo campus e assediadas pelos guardas contratados da Unicamp. Somos obrigadas a ouvir deles gracinhas e ver seus paus p/ fora numa punhetinha laboral.

Seria este vídeo uma piada de mal gosto? Homenagem? Homenagem pelo que, afinal? Gastar dinehiro com videozinho é no mínimo ridículo. Gastar 3 viaturas para impedir que nos reunamos em pleno espaço público também é uma piada?

Sobre os punheteiros eu nem comento.

Olha aí a piada: http://www.dgrh.unicamp.br/diadamulher/2010/

46 anos de ditadura

Enquanto a América Latina tentava se libertar do câncer de ser colônia, ainda, lá pela década de 60, a direita espertinha preparava seu grande golpe. Claro, o risco era pipocar Cubas e perder o quintal todo. E qualquer tentativa nossa de se libertar minimamente de nossa triste miséria, realidade dura, era um sério ataque aos donos do quintal...

Claro que a direita brasileira, muito bem respaldada pelos donos do quintal, saiu na frente. "Façamos a revolução antes que o povo a faça", diriam os milicos, e assim, no dia 31 de março de 1964, deram o golpe no Jango, golpe que chamaram(e talvez ainda chamem) de revolução.

Fecharam-se projetos ligados a educação, caíram todas as medidas contra a fome, exilaram-se e demonizaram-se os "comunistas"(todos os que estavam minimamente ligados a esses projetos...) e o Brasil novamente fica sem nenhum plano de país. A classe média papagaia dos valores burgueses, gli indiferenti, aplaude o novo estado, e resolve que é melhor mesmo alguém que os defenda do horror da partilha de seus podres bens, do horror de comunistas comendo suas criancinhas (sendo que os reais comedores de criancinhas são eles mesmos e sua indiferença pela situação das outras classes...)...

É melhor calar, e silenciar, é melhor abafar a revolução sexual pervertida que está a ocorrer, é melhor proibir o gozo e a imoralidade... Proíbam aranhas, cálices, maconhas, proíbam vermelhos, barrigas solteiras libertas e juventudes...

E a América Latina já tem um tirano em 64, em seu maior país...O cerco se fecha, e os outros países vão caindo nos golpes....golpes, golpes, sucessivos, violentos, torturantes...

Dizem que a ditadura acabou lá pro meio da década de 80...Dizem tanta coisa...
E já ironizava Raulzito em "Abre-te sésamo" a tal abertura...

E hoje, nós na nossa democracia que mais parece o governo do demo mesmo, cá estamos com níveis altíssimos de tortura pelas prisões e favelas afora(que não por acaso são em sua maioria negros...sabiam que a escravidão também nao acabou?), sem reforma agrária, com 70% de analfabetos funcionais, sofrendo processos sumários por estar em organizações estudantis, sem saúde, e, a despeito da mercantilização do sexo, com o mesmo moralismo nojento de sempre, nós e nosso altíssimo nível de crimes de homofobia e de violência contra a mulher...

E a classe média continua a bater palmas e a temer "comunistas", e agora também teme os "favelados" e os perigosíssimos "maconheiros"...é galera, é melhor por chave na geladeira, antes que os comunistas dividam o queijo caro e o caviar(fica ótimo com braço de criança refogado!), os favelados miseráveis os devorem, e os maconheiros em sua larica perigosíssima comam até o gelinho do congelador...

46 anos depois e eu pergunto: saímos da ditadura?