sábado, 31 de outubro de 2009

Laicidade, liberdade sexual, liberdade religiosa e legalização das drogas

Hoje dei uma remexida nos meus emails atrás de coisas sobre homofobia, machismo, racismo...Uma palavra que permeava todos essas palavras sempre era religião.
Disse Marx, leitor de Feuerbach(não sei se escrevi certo) que "A Religião é o Ópio do Povo". Comunistas mais ortodoxos defendem que não existe nada além de matéria, e Deus seria algo impossível, uma construção humana para oprimir, explorar e nos encher de guerra.

Eu, pessoalmente, sempre fui do tipo "crédula"; fui católica até os 11 anos, daquelas que vai a Igreja e se confessa para o padre, porque acreditava naquela igualdade pregada. Aula de História de Idade Média me mostrou a Inquisição, e eu entrei na primeira crise. Revoltada, os hormônios a flor da pele, a TV que já se impunha com sua machista "religião da beleza", e pela primeira vez eu disse que não existia Deus.
Com a morte de meu pai, fui aos espíritas, e me reencontrei com a religião; ia aos estudos, tentava ao máximo praticar seus preceitos....E então, entrei na faculdade, e tive contato com outra coisa que, contraditoriamente, às vezes parece religião - Marxismo - e entrei em outra crise: Deus não existe! Comecei a contestar o próprio espiritismo, e minha depressão piorou bastante nessa época, com a certeza de reencontrar meu pai e minha (na época, recentemente) falecida avó ruindo por completo...O processo depois foi se constituindo num despertar para um não Deus, que começou meu processo de melhora da depressão - a culpa que sentia por ser uma "vagabunda", a vergonha de meu desejo por mulheres, a ideologia machista que eu nunca entendi e até então não sabia desconstruir, tudo foi se esclarecendo com meu amadurecimento político, se acalmando, se transformando em esperança de melhora, em força para brigar...E eu fui amadurecendo essas posições todas...Deixando espiritualismos de lado, sem fechar o diálogo com pessoas espiritualizadas.

Com o tempo, eu fui mudando minha posição de "deus não existe" para "não vou me preocupar com essas coisas". Comecei a acreditar em laicidade, a não-religião, como a única forma de promover a liberdade religiosa e sexual(já que boa parte das religiões oprimem esta dimensão humana de alguma forma) em termos de sociedade. Não vejo razões para suprimir a religião das pessoas, se elas sentem essa necessidade de explicar aquilo que não é explicável pelos nossos olhos... Mas vejo razões inúmeras e incontáveis para negar à religião, qualquer que seja, as instâncias de decisão, reguladoras e mantenedoras da sociedade - hoje, o Estado. Religião, qualquer que seja, tem que estar no seu devido lugar, deve ter espaço entre aqueles que nela acreditam, bem longe de espaços que lhe permitam maior poder que o individual.

Religião regendo legislações impedem qualquer tentativa de democracia, seja ela cultural, religiosa, étnica e sexual- como se já não bastasse todo resto que torna a democracia uma grande piada... O que nossa Constituição tem de laica, se proibimos o aborto com o conceito de vida da Igreja Católica, impomos a monogamia (sabiam que você é um fora da lei se quiser ter um casamento a três?), há tolerância e invisibilidade sobre a discriminação e a depredação dos espaços religiosos do candomblé, umbanda e outras que não por acaso tem origem na mescla com culturas africanas, fazemos piadas com judeus e índios, matamos 190 pessoas de orientações sexuais não hetero em um ano e fechamos os olhos para os estupradores de criancinha de batina?

O fato é que as religiões que buscam poder, o controle das mentes e dos corpos para explorá-los, atormentam os Estados até hoje. E os iluministas e sua laicidade não sairam vitoriosos ainda por aqui, afinal, somos filhos, enquanto AL, dos países de resistência católica da Europa: Portugal e Espanha. Hoje somos vergonhosamente machistas, homofóbicos, e, contraditoriamente a nossa pluralidade cultural e religiosa, nos permitimos ao domínio do Papa e do Edir Macedo.

A nova Constituição da Bolívia tem uma posição fantástica em relação ao isso, ao definir o respeito às diversas culturas pré-colombianas que estão por lá - inclusive, definindo seus vários idiomas como oficiais, para além do Espanhol.

Falando em Bolívia, entendi outra coisa interessante quando fui para lá. Há, além das razões econômicas do Capital para a proibição das drogas(lembrando que boa parte delas foi invenção da indústria farmacêutica), uma razão cultural. Desde a colonização espanhola se tentou proibir o uso da folha de coca, fundamental nas culturas milenares andinas e em outras culturas da América Latina, com funções diversas para esses povos, de medicinais a ritualísticas. Justo nesta planta a indústria estadunidense foi fuxicar, e encontrou a cocaína, que não tem nada a ver com essas culturas. O Ocidente a extraiu por meio de processos químicos agressivos e impossíveis nos recursos não farmacêuticos, a usou como remédio e depois a proibiu para jogá-la nas mãos das classes mais baixas da sociedade e aliená-las da forma mais cruel possível(cocaína é uma das piores drogas, em termos bioquímicos). Além disso, com sua proibição, as famílias que se organizaram na sua produção, de países em que não era interessante o desenvolvimento econômico, foram novamente proibidas de plantar o que era natural de sua cultura, colocadas no limbo da exploração por outras monoculturas ou simplesmente na miséria. Hoje, a Bolívia conseguiu novamente ter a produção de sua "hoja de coca" na legalidade. Com essa história, imagine o que é subjugar um povo e suas culturas, pelo meio "sutil" da proibição daquilo que lhe é próprio? Imaginem os impactos que teria sobre nossa cultura a proibição do vinho, a bebida de Cristo, citada tantas vezes na bíblia?

Outro bom exemplo da não laicidade e criminalização das drogas como meio de "criminalização étnica" é o caso da maconha, amplamente usada por diferentes nações indígenas, e que possui diversos efeitos benéficos ao organismo, se usada das formas certas. A maconha não vicia, pode ser plantada em qualquer vasinho, combate dores de cabeça, relaxa, poderia ser um bom remédio natural para anorexia e problemas de insônia; porém, continua nas mãos do tráfico, que enche de porcarias qualquer baseado e garante seu consumo massivo e prejudicial para a classe que tem que ser alienada; a criminalização impossibilita a produção caseira, devido à repressão. O consumo esporádico de maconha dá margem à criação artística, a novos estados de consciência e percepção de mundo, o que gera reflexão e riscos para o status quo. É mais interessante que ela desmoralize e torne culturas inteiras "criminosas", é mais lucrativo manter as pessoas doentes, hipócritas e preconceituosas. Um Estado verdadeiramente laico, afastado do mercado, não permitiria o consumo da droga aceita em uma religião(ou medicina, como a patética medicina alopática) e criminalizaria a outra, sob qualquer desculpa. E me lembro da música do Gabrirel Pensador, que fala do Cachimbo da Paz, em que um indígena é condenado por fumar um baseado, que não por acaso tem a ver com "paz" na sua cultura...

Alteridade em relação às etnias, liberdade sexual e liberdade religiosa passam, em termos de sociedade, pela laicidade, pelo debate sério de legalização das drogas, pelo combate ao Capital e pela educação do povo. Sem esses fatores, qualquer teoria que se proponha a proporcionar a emancipação do ser humano não passa de lenda - e a democracia dentro do neo-liberalismo é bem assim...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nu Pedagógico

"Indecente
É você ter que ficar
Despido de cultura
Daí não tem jeito
Quando a coisa fica dura
Sem roupa, sem saúde
Sem casa, tudo é tão imoral
A barriga pelada
É que é a vergonha nacional
Vai!"
Ultraje a Rigor, Pelado

Caros Amigos,
Anuncio com grande orgulho que algumas entidades e sindicatos de professores de São Paulo não ficarão na palhaçada de "comemorar" o Dia do Professor este ano.
Sairão para protestar contra a medíocre condição de trabalho de nossa profissão em frente à Secretaria de Educação do Estado, NUS!
Isso mesmo, peladinhos, peladinhas, protestando pela "nudez" do Estado de São Paulo(PSDB há 300 anos aqui) com relação a educação. Estou orgulhosíssima, espero que o protesto seja bom e cheio, e que a Tropa de Choque, presença garantidíssima com certeza, não bata em muita gente. Galera, vão pelados, mas vão de tênis de corrida, porque o carequinha maléfico do Serra e seus cachorros não perdoarão ninguém!
Meu único desgosto é que não poderei ir - gravidez e Tropa de Choque não combinam, seria um aborto certo(ou no mínimo passar mal a ponto de vomitar minhas víceras, já que eu mal consigo comer) sob gás lacrimogênio dentro de prédio - como fizeram na USP, e eu quase morri intoxicada pelo medo, e outros quitutes horrorosos da repressão que impera por aqui.
Mas o papai vai, peladinho de preferência...
Quero ver agora quem realmente defende a educação por aqui, vejamos se os integrantes de certos grupos partidários não envolvidos na decisão de construir este ato disponibilizarão ônibus para que o pessoal da Unicamp vá - talvez seja como a greve, que eles ficaram sabendo um mês depois...
Oportunismos a parte, estou doidinha para ver as tarjas pretas na televisão - quero ver com que cara de pau vão condenar as professoras por ficarem peladas, depois de transmitir banheira do Gugu, os apelativos comerciais de cerveja, as novelas recheadas de sexo no horário nobre e outras aberrações lucrativas da mercantilização do sexo.
Adorei, meu apoio total às professoras e à forma de protesto; querem nos tolhir de manifestação, agora é a palhaçada de avisar a prefeitura de SP por passeatas ou atos(acreditam nisso? O Kassab tem cada uma...), lei de greve, proibição de festas na universidade e na moradia estudantil, proibição dos professores de dar entrevista em SP(pois é, sabia que professor não pode dar entrevista aqui no estado?)...Toma essa, ditadura disfarçada de demo-cracia! A única demo-cracia que vejo aqui é o governo do diabo mesmo! Afinal, Demo-cracia combina muito bem mesmo com CapEtalismo...
Estamos na Ditadura do Mercado...Nu? Depende, quanto vai ter de lucro? Nu na Playboy pode...Aacabar com a repressão sexual? Vocês estão loucos, quem compraria Playboy sem repressão sexual? Nu da gostosona plastificada pode, nu da professora cansada protestando, que não pode nem quer um par de peitos de silicone, é putaria...
Só quero ver...
Espero que ninguém se machuque, de verdade...