domingo, 24 de maio de 2009

ultimamente...

Imagine viver sem saudades...
Sem futuros longínquos...
Sem trsitezas, sem incertezas...
Isso tudo acontece quando se vive no presente.
Quando o presente é um sonho doce para o qual não se desperterá, porque você já está acordado.
Viver o sonho porque tudo o que você faz durante o dia é exatamente o que você queria estar fazendo, e você é feliz 24 horas por dia.
Querer que os dias tivessem 48h para se viver mais tempo assim.
Querer que o sono seja o mínimo, porque é muito muito bom estar acordado.
Não imaginar um dia de 2h para que o ano passe mais rápido, para pegar logo o canudo e viver daqui a pouco.
Viver AGORA.
Ser feliz AGORA.
E o meu hedonismo está completamente satisfeito, porque eu escolhi como "obrigação" o que eu faria por puro tesão, por puro deleite, por pura paixão.
E eu sou libriana, eu não trabalho, eu me apaixono.
Não existe tédio agora, não existe o depois, não existe apatia.
Eu rio, choro, sinto, penso, eu posso ser intensa como quero ser.
E assim eu tenho epifanias o dia inteiro, explosões, espasmos.
Assim tem sido meus dias.
E assim os farei ser para sempre.

Transgresiones

Compartilho com vcs o presente que me deu Capi esta manhã...
Beijos...

Transgresiones
Mario Benedetti

todo mandato es minucioso y cruel
me gustan las frugales transgresiones
por ejemplo inventar el buen amor
aprender en los cuerpos y en tu cuerpo
oír la noche y no decir amén
trazar cada uno el mapa de su audacia
aunque nos olvidemos de olvidar
seguro que el recuerdo nos olvida
obedecer a ciegas deja ciego
crecemos solamente en la osadía
solo cuando transgredo alguna orden
el futuro se vuelve respirable
todo mandato es minucioso y cruel
me gustan las frugales transgresiones

domingo, 10 de maio de 2009

Meu Big Bang...

"Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem". Rosa Luxemburgo.


E o tempo parou...

Dada a proposta, de se escrever sobre uma sensação, um sentimento, uma mágica, na hora pensei em escrever sobre o momento que mudou minha vida para sempre, meu ponto de partida, o que deu significado maior de minha vida; o que me despertou para o meu maior desejo, que estava escondido nas entrelinhas de meu coração. O meu Big Bang, que explodiu a energia concentrada em minha infância e expandiu meu universo. Sinto que isso me trouxe aqui a esta sala de aula, e sinto que será a única oportunidade de explorar este fato.
Um certo dia 15, de um certo mês de março, uma certa sexta-feira, acordei cedo, mas não foi para ir à escola. CDF vaidosa e curiosa que sempre fui, odiava perder aulas... A razão? Um fim de semana, com alguns colegas e um professor da escola, promovido por um projeto de incentivo ao protagonismo juvenil, para experimentar com outros jovens e professores de outras escolas e realidades o que era montar um projeto social. Na real eu tinha entrado nesse lance meio de gaiato, meio de curiosa, eram umas reuniões que faziam na minha escola uma vez por semana e eu ia porque achava legal e não tinha nada mais legal para fazer... Naquela época, eu sonhava ainda em ser jornalista, e acabei sendo sorteada como representante da minha escola para fazer o jornal do projeto, o que me deixou empolgada.
Voltando àquele certo dia, eu acordei de mau-humor... Sei lá, mó saco, ia viajar um fim de semana para um sítio, com um monte de gente que não conhecia, uns colegas da escola de pouco tempo... Até tinha o professor legal e a Rob´s, minha amiga desde muito tempo, mas era só. Bom, lá fui eu, meio arrependida, meio puta da vida, entrei no ônibus, meti o fone de ouvido com o “discmann” olhando para a janela, e me fechei. Ao meu lado no ônibus a Rob´s ficou conversando com o pessoal.
Ali centrada no meu mau-humor, sinto uma cutucada da Rob´s e tiro o fone.
- Isa, tão tocando CPM – disse ela (naquela época, eu ainda consumia esses narcóticos musicais... Pior que “crack”...).
Pensei: “meu CD está com a Sarah, e é um som de violão... é, vamos ver”. Desliguei o “discmann” e fui para o corredor de ônibus.
Aí, o tempo pisou no freio, freando loucamente rápido até parar, e capotar minha vida; lentamente, fui virando o rosto, vi duas meninas baixinhas e sorridentes que me deram oi, vi uma almofada do Corinthians em cada detalhe na poltrona, vi um violão vibrando as cordas, e chegamos finalmente à velocidade zero; o tempo parou. A explosão, o Big Bang. Os olhos que me encaravam e frearam o tempo, aqueles olhos que me encaravam como ninguém nunca tinha me encarado, daquele menino de boné virado para trás, aquela explosão de tempo infinito, imensurável, indeterminado que durou aquele olhar, a reação que aquele olhar gerou...
Naquele momento, meu corpo mudou. Senti uma euforia correndo pelas veias, os pêlos ouriçados, o arrepio quente, a descarga deliciosa de adrenalina, a boca salivando, o suor, o cheiro mágico que vinha dele e de mim; meus músculos ficaram estáticos, porque meu coração consumia toda a energia do meu corpo, batendo a mil, como nunca; naquele momento, naquele olhar, minha mente foi fecundada, por uma estranha certeza, senti-me molhada, aberta, invadida, como um rio de águas violentas que toma a terra seca, ávida pela chuva.
A latente energia que eu nunca havia partilhado com ninguém, que sempre havia ficado restrita às minhas buscas secretas e curiosas pelo meu próprio corpo, os segredos que descobri e guardei de mim mesma, naquele momento, naquele olhar, eu partilhei pela primeira vez. Eu que há muito já sabia o que era o prazer, eu que há muito já sabia que não achava só os meninos legais, eu que há muito já imaginava como seria partilhar do prazer... Naquele momento eu entendi que era ele, o menino de boné virado para trás, que me arrancaria de mim mesma, ele que me mostraria o que sou para mim e para os outros, ele que me faria movimentar-me pela primeira vez, a esbarrar nas correntes que me prendiam, como um rato que vai à cela roer a ensangüentada prisioneira amarrada.
Naquele momento, naquele olhar, eu saí da infância, eu cresci. Entendi o que é ficar inebriada, louca, à flor da pele, entendi o que é querer ser livre sem medir conseqüências, entendi que lutaria até a morte por isso.
E assim, minha vida começou: despertando para o amor da minha vida, o auge das liberdades, o maior dos prazeres, o sonho de todos os corpos, a inspiração maior dos hedonistas. Num olhar, o sexo entrou na minha vida. E o tempo parou.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

DECLARAÇÃO DE AMORà Revolução Total de Cuba

Pensei muito se ia pôr ou não este texto...
E sim, vou pôr, é muito bom.

E recomendo muito o filme "Che", que está nos cinemas...

Da eterna apaixonada pela Revolução Cubana.........
Vaca Profana

De Pedro Casaldáliga:
Eu, bispo à esquerda, poeta a caminho, vindo de outros mundos mas enxertado na Pátria Grande como um rebento mestiço de culturas e anelos, missionário com certa vocação para evangelizar «macedônios», e claretiano daquele que foi arcebispo de Santiago de Cuba, faço esta declaração, aos vinte e tantos de fevereiro de 1999, esperando que termine menos mal este milênio, «deslumbrante e cruel», enquanto a pós-modernidade anda sem rumo e querem declarar-nos «cansada» a utopia. Eu venho do Brasil, que também é latino-americano, do rio Araguaia, fronteira de lua e pássaros e lutas da grande Amazônia. Venho do Santuário dos Mártires da Caminhada, onde se conserva viva a «memória perigosa» de todo o sangue derramado pela causa grande da Libertação; e onde, por certo, estão presentes, ecumenicamente, os jovens cubanos Frank Pais e Antonio Echeberría. «Declaração de amor» digo, não de ódio, nem de desprezo nem de indiferença; porque - entre outras coisas para amar e para discutir e para corrigir - trata-se de uma revolução nossa, desta Pátria Grande que é Nossa América. É uma declaração, em voz alta e de coração aberto, para que fiquem sabendo as ondas que vão e vêm pelo mar Caribe e os silêncios expectantes dos Andes e as geladas vidraças de Wall Street. Mas em parábola, para que não se entenda mais que o devido, e para que os irmãos e irmãs que queiram o entendam do coração e na esperança. Acossada e acusada, a revolução deve continuar fazendo-se, mas total. E deve saber que o fracasso pode ser um fracasso processual, um fragmento do grande fracasso pascal que termina no triunfo da Vida. Os adjetivos às vezes são substantivamente qualificativos, e por isso eu disse revolução «total». As revoluções, já se sabe, podem ser parciais, partidistas, talvez imediatistas. Como cristãos, dizemos - e cremos - que o Reino de Deus, que é a Revolução do próprio Deus, «já é, mas ainda não». Total há de ser, ademais, porque a boa revolução que sonhamos e que a gente quer para esta Cuba amada e para Nossa América e para o mundo, é a revolução das almas, a revolução das relações, a revolução das estruturas. Mas revolução, porque de reformas ao estilo das democracias formais já estamos mais que cansados. O que queremos é «a dignidade plena do homem (e da mulher)», como diria «o apóstolo» Martí; aquele «exercício íntegro» que ele desejava para sua pátria - e «que não corra perigo a liberdade no triunfo», advertia - e que ele deseja agora - vivo na pedra da história e na glória merecida -, para toda a «pátria que é Humanidade» e para toda esta «América de qual somos filhos e filhas». Quanta sociologia puder proclamar e viver esta humana terra da família de Deus se reduz - quase nada! - a conjugar dialeticamente estas duas aspirações maiores de nossas vidas e nossos povos: a Liberdade e a Justiça. Conjugar simultaneamente, como cantava o poeta peruano, «a justiça e as rosas», e, acrescentemos, o vento, o Vento... Para a fé dos seguidores e seguidoras de Jesus, toda a realização pessoal e toda a construção da História consiste em saber conjugar, na dialética do Evangelho, o Mundo, o Reino, a Igreja. Essa Igreja que é um mistério e uma missão, mas que é também uma história de santidades e de infidelidades e poderes e cegueiras. O Reino - já se sabe, e quanto melhor se deveria saber! - é o sonho de Deus, a paixão de Jesus (segundo o Evangelho), «o destino da raça humana» (segundo o teólogo da África do Sul), e «somente o Reino é absoluto, tudo o mais é relativo» (segundo o papa Paulo VI). E a Vida, cada vida, e a História, com todos os seus processos, são matéria-prima do Reino, sob a ação amorosa do Espírito de Deus. O capitalismo é um pecado capital. O socialismo pode ser uma virtude cardeal: somos iguais, somos irmãos e irmãs, a terra é para todos e, como repetia Jesus de Nazaré, não se pode servir a dois senhores, e o outro senhor é exatamente o capital. Quando o capital é neoliberal, de lucro onímodo, de mercado total, de exclusão das imensas maiorias, o pecado capital já é abertamente mortal. Socializar, distribuir como em família, na única sofrida, bela, humana família de Deus. Não haverá paz na terra, não haverá democracia que mereça recuperar esse profanado nome, se não houver uma certa socialização da terra do campo e do solo da cidade, da saúde e da educação, da comunicação e da ciência. Tu podes ter se o outro pode ter também; mas tu não podes ter acumulando, deixando desnudo o irmão. A propriedade privada é essencialmente iníqüa quando é privatista e privadora. Vocês recordam o gesto aquele da multiplicação dos pães e dos peixes? Não foi um jogo de magia, mas um ato de partilha. Pão há para o mundo, para a humanidade inteira, e incalculável peixe tem o mar... A partilha será, evidentemente, contra o programa do FMI e do BM e das transnacionais e dos multimilionários e, muitas vezes, quem sabe, talvez contra nosso próprio coração pós-modernamente egoísta. Cuba vem passando angustiadamente por um «período especial». Por um período muito especial passa o mundo inteiro. Tocam o neoliberalismo todos os bancos, todos os governos e muitos computadores. Cuba é uma ilha, cercada de mar por todos os lados; cercada pelo mar do neoliberalismo também. ¡Ay Nicaragua Nicaragüita! Mas prossigamos, Zapata! Irmãs e irmãos da Pátria Grande: não se cansem de soprar vento de utopia pelas quenas maternas, não se cansem de bater os tambores da negra rebeldia! Pais e Mães da Pátria Grande: os Juan Diego, Lempira, Las Casas, Túpac Amáru, Zumbi, Martí, Camilo Torres, Che Guevara, Doña Tingó, Romero, Margarida Maria Alves... e todos quantos e quantas, ao longo dos séculos de antes e depois da conquista, na sempre Abya Yala fecunda, vêm dando sua sabedoria e seu canto, sua luta e seu sangue, sua resistência e sua esperança! Cuba é uma ilha, e uma ilha é tanto um lugar desconectado do resto do mundo, como conectável com o mundo inteiro. «Que o mundo se abra a Cuba», pedia o papa; «e Cuba se abra ao mundo»; que Cuba se abra a Cuba, que a Igreja se abra ao Povo, que o Estado se abra ao Povo, que o Povo se abra ao Povo; que tudo se abra ao Reino, que é a libertadora política de Deus... Não vamos entregar a ninguém que se creia grande «a pérola do Caribe»; tampouco vamos encerrá-la em uma concha. Cubanos, cubanas, irmãos do mundo, tão generosamente entregues à saúde, à educação e à libertação, muito além das fronteiras da pátria cubana: vamos continuar «internacionalizando o amor» - como queria o compa nica de Santa Clara -, globalizando a solidariedade, mundializando a utopia! Que fazemos, Senhor, neste mundo neoliberal? Que fazes Tu? Que se veja que és sempre o Deus dos pobres! Que façamos ver-te como tal. Que a Igreja, as Igrejas, a Igreja de Jesus, ecumenicamente testemunha do Crucificado Ressuscitado, seja livre, sim, mas para o serviço, coerente sempre com a opção de Jesus e com a força de sua Páscoa. Nem carpideiras nem cruzados. Nada de crispação militante, nem de um lado nem do outro, que se trata de um só povo, e deveria tratar-se de uma mesma tarefa e uma mesma esperança. Que a laicidade do Estado não tenha por que ser irreligiosidade do Povo; nem o espaço da Igreja tenha de ser poder. Seja a Igreja de Jesus luz, sal, fermento, como Ele sonhava, humilde diakonia do Reino, uma profecia que consola o Povo e o acompanha, que anuncia a Boa Notícia, que denuncia a má notícia de toda Morte, que não apaga a mecha dos êxitos e dos sonhos, talvez quase apenas fumegantes, e que nunca faz o jogo do inimigo maior. Deus não «entrou em Havana», jornalista Manolo, porque não saiu nunca de Havana, como não saiu nunca de teu coração que se declara ateu nem de outros corações ateus mais ou menos. Deus antes, durante e depois. Dentro. Ele, sempre maior, Outro. Que ninguém use apenas o manual, nem ninguém use apenas o catecismo. Que todos os lázaros de todos os rincões sintam, como em El Rincón , que se fazem uno o São Lázaro bispo e o São Lázaro povo. Que a Igreja e a Sociedade acolham a santería negra com o respeito que merece uma presença autóctone de Deus, do Deus de todos os nomes, e muito além de toda prevenção ou de qualquer manipulação folclorista. Que todos os mandos sejam sempre companheiros. (O Reino e a Revolução, «somos todos»). Que não se faça «sem» o que se pode fazer «com», porque a Igreja não deve ser a suplência da Sociedade, uma pretensa sociedade perfeita paralela. E a suplência, ademais, quando necessária, deve ser oportuna, provisória, autocrítica. E que a sociedade civil não faça o jogo do apátrida mercado total, desdenhando a missão do estado, já que onde não há um Estado soberano e participativo, acaba por não haver Sociedade. «Do fundamentalismo do Estado passamos ao fundamentalismo do Mercado», reconheceu o próprio boy-maior do FMI, depois de vir ajudando a esquartejar o Estado por esse novo fundamentalismo, e proclama agora que «é preciso reinventar o Estado». La Caridad de El Cobre é a Virgem Mambisa, aliada de cimarrões excluídos, a pequena grande libertadora, na Serra Maestra das muitas libertações que Cuba lutou e que a todos nos toca lutar. Programa de libertação total é nosso programa, companheiros e companheiras de caminhada! Que o homem e a mulher sejam totalmente novos, sempre saudoso Che, na medida em que cabe a nosso barro ainda frágil, e «sem perder a ternura jamais», irmão. Que todos os direitos humanos sejam harmoniosamente vividos, sem nenhuma pena de vida nem nenhuma pena de morte. Que toda Cuba seja um malecón aberto ao mar e ao céu, sem castelos de medo algum nem hotelões de luxo insultante (com mirantes populares, isto sim, com restaurantes populares também, e as gaivotas do sonho e os meninos do povo). Que o dólar não seja divino nem imprescindível: que seja simplesmente a moeda de um país igual aos demais países do mundo humano. Que Miami seja somente Miami, nem porta-aviões nem paraíso ilusório. Que os balseros o sejam somente de águas adentro da liberdade, da pátria, da solidariedade. Que dialoguem - mas cubanamente, sempre - Granma e Vitral. Que Cuba continue sendo este culto histórico país, «nó de feixe de ilhas», cheio de cubanos e cubanas (com turistas também, por que não? mas não turistas do sexo, nem turistas do privilégio). Que a juventude não se deixe «ajinetear» profanando a flor de sua formosura e o vigor de nosso futuro. Que Cuba não seja nunca mais um cassino «made in». Que Cuba salve maduramente sua identidade guajira latino-americanacar ibenhamente. Anti-imperialistas somos pela vontade de Deus, que fez cada povo digno, livre e irrepetível - imagem coletiva sua, como cada pessoa é uma imagem sua individual - e por isso exigimos, diante de Deus e diante da História, que se acabe o bloqueio, crime de lesa-Cuba e de lesa-Humanidade. Anti-imperialistas somos, e por isso nos negamos, com Cuba, a pagar a Dívida Externa, que não é nossa, mas «deles», e que já temos pagado com acréscimo e que não permite a nossos Povos cobrir as dívidas sociais da Vida e da Dignidade. Vindo a Cuba, em um vôo da Cubana, deram-nos, Fidel, a revista de bordo «Sol y Son». Nela eu lia um artigo sobre Hemingway, com a inevitável referência a «O Velho e o Mar». E, não sei por que simpatia ou inspiração, eu te sentia e te sinto, Fidel, um pouco assim: como «O Velho e o Mar», velho de lutas e de anos tu, e sendo o mar esse mar de nossa vida, do processo de Cuba, do futuro do Mundo. E evocava, vindo a Cuba e sentindo de antemão seu sol e seu som, algo do que te dizia naquela carta de aniversário, de 10 de dezembro de 1996: «Fidel, a estas alturas de tua vida e da minha, e da marcha de nossos Povos e das Igrejas mais comprometidas com o Evangelho feito vida e história, tu e eu podemos muito bem ser ao mesmo tempo crentes e ateus. Ateus do deus do colonialismo e do imperialismo, do capital ególatra e da exclusão, e da fome e da morte para as maiorias, com um mundo dividido mortalmente em dois (onde estão o Leste e o Oeste, diante deste Norte e Sul...?). E crentes, por outra parte, do Deus da Vida e da Fraternidade universal, com um mundo humano único, na dignidade respeitada por igual de todas as pessoas e de todos os povos... Com esta fé - te dizia e te digo - abraço a todo o povo de Martí, na esperança de sua vitória sobre o bloqueio iníqüo, na defesa de suas conquistas sociais, e na consolidação de uma democracia sem privilegiados nem excluídos, com Pão e com Espírito, com Justiça e com Liberdade; na bela pátria da Ilha e em toda a Pátria Grande da Nossa América.» E dizia, e tenho de dizê-lo de novo, por esta singular Declaração, que esperava, com o suficiente bom humor necessário, «não escandalizar demasiado nem à direita nem à esquerda». Uma declaração de amor à Revolução Total tem de acabar necessariamente rezando... À Caridade de El Cobre eu rezo, pois, com todos os cubanos e cubanas:

Virgen de la Caridad,
mina de amor en El Cobre,
madre de toda orfandad,
hermana del pueblo pobre.
Cuba es tuya, eres nuestra,
desde la Sierra Maestra
a los confines del mar...
Y con tu gracia, Señora,
Cuba sabrá ser ahora
Patria, Justicia y Altar.


Amém e aleluia, embora sendo quaresma na liturgia e no Mundo, que para a Páscoa, em todo caso, nós vamos!

Pedro Casaldáliga
São Félix do Araguaia, MT, Brasil

Sobre a reportagem de José Serra e a dicotomia Teoria/Prática

E-mail em resposta a polêmica criada por uma reportagem com declaração de Serra, na lista de emails dos meus colegas de classe....

Reprotagem:

http://etnografianovirtual.blogspot.com/

Segue...
Beijo p/ quem é de beijo.


Caros colegas,

Já aviso que este email está longo e expõe uma visão de mundo minha bem particular. Mas não poderia deixar de ser, porque eu tenho muito medo de onde essa estranha dicotomia entre teoria e prática vai nos levar...eu odeio dicotomias. Peço que, se vocês se interessarem pelo meu email, leiam até o fim para não me interpretarem erroneamente, ou senão o desconsiderem.

Obrigada e desculpas pelo tamanho e por ter ido longe demais do debate "prático"...mas toda prática traz uma consequência maior....

Beijos e atés...Isa

Vamos lá:

1 - me apresentando à discussão:

- Pensando um pouco na disciplina que fiz semestre passado "Escola e Currículo", com a prof. Carminha (de quem sou fã absoluta, hehehhe); um pouco nas discussões que tive com nossas veteranas que estão concluindo o curso, antes da minha mudança definitiva p/ cá; na forma como transformaram o currículo do químico com licenciatura (que não era educador em química) para o do "técnico" em ensino de química, que foi exatamente o que vivi na licenciatura em Química; nas minhas experiências no estágio da licenciatura em Química; nas salas de Projetos de EJA que me envolvi e que ainda estou envolvida; nas aulas particulares que dei para vestibulandos bem abastados; nas salas do Cursinho em que dei aula; no projeto de educação popular em que trabalhei; e, acima de tudo, na expectativa que tiveram e têm esses meus alunos(que sempre me ensinaram muito mais do que eu a eles), vou colocar alguns pontos sobre o currículo do nosso curso de Pedago aqui na Unicamp...

2) antes de pensar no currículo em si:

- essa professora que eu disse é de uma comissão (desculpem o vago de minhas informações sobre isso) do MEC, que analisa e controla as condições dos cursos superiores de Pedagogia: tem curso de porta de estrada por aí que aluga biblioteca para receber a comissão. Isso mesmo, não tinha biblioteca, mas como é obrigatório por lei, alugava uma. Cursos estes que são "baratinhos", pedagogia é um curso barato de abrir, que dá para arrancar um bom lucro desse pessoal que quer ter uma condição de vida um pouco melhor, e busca um diploma universitário...Essa é a relação mercadológica desses cursos. O cara que trabalhou a vida toda, que não tem saco de estudar porque não tem nada que lhe interesse muito, que tá cansado do trabalho e vai prá aula a noite, depois de uns 3 busões...Esse é o pedagogo formado. Tem também os cursinhos de sábado, que são até mais baratos e menos chatos, olha que legal! Diploma expresso, como o café de máquina. A empresa educacional lucra milhões, o cara consegue o diploma, na sua única chance de tê-lo, passa a ganhar uns 600 reais ao invés de 500, entra na sala de aula e prova que dois mais dois são 5, os alunos continuam jogando bolinhas de fogo...e ainda se assustam que a escola esteja um lixo. A gastrite é dolorida... Mas é claro, o problema é o excesso de teorias, afinal, esses universitários leem bastante...

3) Currículo do curso de pedago:

- Segundo a disciplina que discutiu muito currículo, o curso de pedagogia surge no Brasil na década de 30, com o intuito inicial de formar acadêmicos para pensar a educação na sociedade. Ou seja, inicialmente, não íamos ser professores, íamos ser pesquisadores...Essa definição do curso passa por uma óbvia teorização de tudo, um modelo de pesquisa que reflete sobre uma prática que não tem(ou seja, um absurdo, refletir sobre uma prática fantasma)...Ele até ganha uma licenciatura pouco tempo depois, mas só toma as proporções de formar professores que tem hoje com o fim da escola Normal, ou seja, com o fim da formação de professores somente em 2ºgrau...

- O que isso representa? A universidade tem um caráter muito diferente da escola, pois é onde se faz pesquisa, ou seja, teoria, e onde se pensam as práticas da vida e se constrói a Ciência. Sendo assim, espera-se que um curso universitário tenha uma base teórica sim, pois quando vemos a educação como algo mais que uma transferência de conhecimento, quando a vemos num âmbito de construção social e cultural para uma determinada sociedade, regida por um determinado contexto sócio-econômico, o mínimo que podemos fazer é estudar, além da sala de aula em si, Sociologia, Filosofia, Antropologia, Psicologia, e até algumas coisas que não estão no nosso currículo, como Economia, Direito, Filosofia das Ciências Exatas e Ciência Política. Isso nos dará uma base crítica, impossível num curso com enfoque técnico...Por exemplo, essa é a diferença entre um curso técnico em Química e um curso universitário...O formado pela técnica sabe calibrar os peagâmetros(medidor de pH), mas quem saberá as implicações do pH resultante é o químico. Isso é formação crítica, aquela que nos tira do senso comum, aquela que nos faz - seja para reproduzir a nossa sociedade, seja para transformá-la - autônomos para decidir sobre o que queremos e refletir sobre as práticas que temos...Seja para a direita, esquerda, centro, frente, trás, costas, acima, abaixo, circular...Pouco importa. É a formação crítica que nos liberta.

- Enfim, é claro e óbvio que só a teoria não te fará um bom professor (seja lá o que for "bom"), assim como não te faz um bom engenheiro, um bom economista, um bom químico, um bom político...Pensando que a teoria é uma reflexão sobre a prática, como ter uma teoria sem ter uma prática?

- Conversando com nossas veteranas, no meu ano passado de questionamento constante sobre se ia mesmo para a Pedago, se não devia fazer outro curso, se devia fazer faculdade, para que fazer faculdade, blá, blá blá, elas me disseram: o curso de pedago é meio que dividido em duas etapas: 1) façam a revolução e 2) como se adaptar ao sistema para não perder seu emprego (palavras minhas). Ou seja, nosso curso é dividido entre teoria e prática. Por que é tão importante termos teoria no começo? Para sairmos do senso comum. Mas essa teoria que vemos são só algumas das reflexões possíveis; que, além disso, na minha opinião são pessimamente lidas na maioria das vezes, como se fossem imediatas condutas a serem aplicadas pela fé em deus Marx todo poderoso que lhe dará a terra prometida do socialismo, a solução do mundo...distorcendo o próprio Marx. E aí tudo vira utópico. Ou seja, substituindo uma prática sem reflexão por outra. O que acontece entre a primeira parte e a segunda? Para mim, parece que a primeira parte não questiona muito a si mesma. Simplesmente cai naquelas de "a educação tem que mudar", argumenta porque, fala fala fala, lê mil marxistas (e praticamente só eles, não lê nem Marx nem outros, e lê muito pouco sobre os clássicos do sistema...o que eu acho um absurdo), e nos retira de um senso comum....e joga em outro. E depois de fazê-lo, depois de nos manter dois anos em sonho revolucionário, nos jurar uma terra prometida, nos acorda e joga nos estágios, nas disciplinas de ensino de matemática, português, geografia...Enfim, nos dá a cartilha. E aí, como nas minhas conversas com a professora que dá aula comigo no EJA, que também fez Unicamp, que também sonhou, eu só vejo a mesma cartilha na sala, talvez apenas com um pouco mais de afeto pelos alunos...Dar voz é perguntar como está o filho da Elza. E quando dou aula e anseio por algo diferente, eu que já escolhi de que lado estou, já pensei demais em como mudar a prática que tinha e tenho, já me assutei com as dúvidas dos meus alunos, abastados ou não, nas aulas de química que dava (que geralmente não tinham nada a ver com átomos, e sim com análise sintática), eu não sei o que fazer.

- E aí? E aí que fica nessa discussão eterna de um mundo diferente, sem pobres, sem violência, mas sem mudar uma linha na cartilha...Alguns desses pedagogos viram acadêmicos de renome, discutirão a terra prometida doutrinando novas ovelhas para seu rebanho revolucionário, que se manterá no cercado seguro da universidade...Alguns optarão claramente por seguir o modelo vigente, e também ficarão na academia, dizendo que a história acabou, formando técnicos perfeitos em ensinar o moleque a sentar direito na cadeira. Outros, a maioria de nós, acabarão indo para a sala de aula, dizendo que o curso é lindo, mas o "ditado" e o "complete as lacunas com ss ou ç" é o único jeito de ensinar a ler....Bom, e aí manteremos o sistema, independente da escolha que tivemos. Por quê? Porque não somos autônomos na nossa reflexão. E sem autonomia de reflexão, caímos no ponto de que absolutamente qualquer coisa é utopia...caímos no maldito pragmatismo técnico...

- Bom...essa é minha crítica ao que tenho visto até agora do curso e o que vi e pensei olhando bastante para ele e refletindo se eu o queria mesmo ou não. Esses todos foram motivos que me fizeram pensar que não queria.

4) sobre o que o governador falou, e consequências da técnica....

- Não vou destilar meu ódio anti-tucano, porque não acho que ele seja um argumento suficiente, o ódio que sinto é apenas o que sinto pelo que vejo por aí...Partirei de seus próprios argumentos e extrapolarei as consequências.

- Antes de mais nada, o senhor governador deveria pensar em aumentar as verbas para a educação pública, que são vergonhosamente pequenas no estado de São Paulo, inclusive para as privilegiadas "porcarias" de universidades sobre as quais ele tem poder político e econômico, ele dá a grana, e na qual ele mesmo se formou economista (aqui na Unicamp, que é uma das escolas mais diferenciadas, de base teórica marxista e "humana" - no sentido de contrário a "exata" - do país). E isso não é discurso de esquerdista não: educação é meio de controle público. Não é simplesmente um direito, é uma forma de moldar a sociedade sem precisar de tanta polícia. É condizente com um estado neoliberal minimamente inteligente e centrado em manter-se no poder que mantenha a educação bem controlada para a formação do operário, para divulgar o valor meritocrático, para justificar o pobre, para fingir que existe democracia. Não é a toa que os eua tem um sistema público de ensino básico. O Estado pode dar conta disso, deve dar conta disso, para manter o próprio neoliberalismo. Parece que essas coisas o tio Lula entendeu melhor que os neoliberais mais antigos, como os tucanos... Se o nosso governador quer criticar os cursos de Pedagogia olhando simplesmente para o currículo, é no mínimo um descuido neoliberal. Professor revoltado é uma autoridade com a porta aberta ao questionamento, perigosíssimo...ainda mais tendo no seu currículo uma teoria que mostra que as coisas não precisam ser assim....já pensou se ele acredita? Haja polícia...

- Mas se o cara não precisa refletir, abre então um curso técnico, ué... Coloca o cara na sala de aula junto com um professor mais antigo, olha que legal, dá uma ajuda de custo para ele pegar o ônibus até a escola, deixa ele um, dois anos lá, enquadra como estagiário, afinal, ele estará aprendendo na prática o que acontece, aprenderá tudo sobre como dar a cartilha...pronto. E fica baratinho, ó!

- Se é para criar uma peça de máquina, pronto, formatado, com pouco gasto, no "curso" técnico. Mantém uma polícia forte, e mande bombeiros a queimar os livros como em Fahrenheint 451...Queimemos todas as teorias, afinal o que vale é a prática, queimemos todas, não importando se vêm da direita ou da esquerda, da Europa ou da África, queimem Marx, Bakunin, Chavez, Castro, Idi Amim, Florestan Fernandes, Marilena Chauí, Paulo Freire, Gilberto Freire, Fernando Henrique Cardoso, Prouhdon,Adam Smith, Ricardo, Aristóteles, Taylor, Ford, Descartes, Darwin, Hitler, Gramsci, Platão, Trotsky, Lenin, Newton, Einstein, Kropotikin, Mário de Andrade, Lévi-Strauss, Saramago, Lavoisier, César Lattes, Plínio de Arruda Sampaio, Frei Betto, Stinner, Skinner, Vigotski, Piaget, Freud, Fauerbach, Santo Agostinho...(metade da grafia desses nomes deve estar errada)...Queimemos tudo, a história acabou, agora é a técnica, o corpo é uma máquina, você é uma máquina, e máquina não sonha, a máquina produz, não despenda energia com outras coisas, a dissipação de calor é a maior consumidora das energias da máquina, não tenha filhos para não perder o emprego, não se apaixone para chorar nos filmes de Hollywood, não vá passear no parque, não olhe para o azul do céu, se mate se não puder trabalhar, se acabar sua utilidade. Bem vindo ao Admirável Mundo Novo.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Devaneando

Devaneando, devaneando....
A aula de hoje foi linda!
Sinto-me livre, palpitante, sinto um calor vindo da minha pele, estou feliz, contemplada...
Vibro, vibro, vibro...
Se estivesse de calça estaria muito triste hoje, mas estou com uma saia vermelha, douradinha, feliz, de cabelos soltos, sem relógios, de decote...
sinto-me linda....quero dançar, correr, pular, trepar loucamente
Sou inteira sensações agora...
Sinto o cheiro do feijão do português, ouço a Gal cantando meu hino que nomeia este blog, as pessoas do CAP conversando, vejo as cores e a luz do sol que entra deiciosamente e invade o CAP(o que me faz amá-lo), toco nas teclas desse computador, sinto o gosto da fome(tá na hora do almoço), sinto o meu dedão do pé no caixote, cara, eu contemplo o mundo...
Sinto o tesão correndo e destiando-se nas minhas veias, que me faz devanear com o meu próprio cabelo que toca a pele dos meus ombros....
Viver, contemplar, sentir.......

Estou num devaeneio intelecto/imaginativo/maluco/sexual....
Pirando ao extremo!

Aquele abraço a quem lê@
Vaca para sempre, profana!