sexta-feira, 17 de abril de 2009

Sobre a culpa burguesa..

Essa quarta feira fui a Santo André, assistir um ensaio de um projeto FANTÁSTICO que funciona no meio da favela, com tetatro do oprimido, nos moldes de Augusto Boal...Fiquei alucinada, ainda não conheço nada de Augusto Boal, preciso ler, mas o projeto é demais....Consegue conciliar trabalhar técnica de teatro de verdade com o que eles precisam e deles parte, o que a eles interessa e o que eles sentem...fantástico, alucinante, delicioso...a ponto de me fazer chorar no ensaio...Foi demais...incrível...enfim

No fim nos juntamos em roda e começamos a discutir sobre o projeto e o professor de teatro que o toca(um cara sensacional, por sinal, adorei ele) veio dizer que ele estava ali por uma certa culpa burguesa...
E eu lhe questionei se ele realmente era burguês. E ele me disse que era, porque tinha mais do que aqueles meninos da favela, porque não lhe faltava comida, tinha um certo conforto. E eu lhe questionei então o que aconteceria se ele parasse de trabalhar, e ele me disse: eu tava fudido!
Enfim...ou seja, classicamente este tipo de postura, até de um cara que tem um posicionamento político como o dele é tipicamente de classe média...tão operário quanto a gente da favela, mas continua pensando que é burguês...E aí, ele coloca o trabalho fantástico e politizado dele num patamar de fazer o bem, de solidarizar-se com a causa "deles", como se nós de classe média, por mais que não nos identifiquemos com a classe operária, por mais que nos iludamos achando que somos e ou seremos burgueses, como se nós não fossemos também oprimidos, como se nós também não sofrêssemos com o sistema, como se não fosse a nossa cultura submetida a uma cultura de mercado, nossa liberdade a uma liberdade de mercado(o que para mim já é uma puta opressão), como se nós não sofressemos com a violência que está nas ruas, mas acima de tudo nas televisões, como se não sofressemos a violência de servir de fantoche a essa lógica, a violência da não consciência, a violência de termos um mínimo de direitos simplesmente porque pagamos por um serviço...

Isso para não citar o fato de ser mulher e bissexual, que já representam mais dois fatores de opressão, já que uma boa parte da grana que gasto e do meu humor obrigatoriamente devem ir p/ depilação/shampoo/pedicure, porque afinal, mulher com pêlo é menos mulher, mulher feia é menos mulher e mulher de unha malfeita é porca; além, claro, de ter que ouvir, cada vez que beijo uma das minhas lindinhas meninas, um imbecil qualquer vindo pedir para entrar no meio...

Isso sem passar pelo fato de que eu não sou exatamente branca, nem exatamente paulista - qualquer piadinha rascista e de nordestino eu perco a cabeça e ainda acham que eu exagero...

Desculpa, eu não luto por solidariedade aos outros simplesmente, eu luto por mim, antes de tudo, cazzo!
Eu sou uma egoísta, na verdade...
E das mais egoístas...
A la Raul....

http://www.youtube.com/watch?v=KnYRQowDrWg

terça-feira, 14 de abril de 2009

POR UMA EDUCAÇÃO PROFANA

Enfim, enfim....enfim tirei um tempo para escrever e articular meus últimos devaneios educacionais/artísticos/sexuais/ políticos....
Desde ontem de manhã estou devaneando por causa de uma discussão de sala....E o JJ, meu mais convergente colega de turma disse uma coisa mágica, juntou duas palavras que eu amo, mas nunca tinha lincado...ele disse alguma coisa do tipo" se estamos aqui por uma EDUCAÇÃO PROFANA..."
Profanaaaaaaaaaaaa.....um, dois, três orgasmos múltiplos nessa hora, profana, profana, profana...EDUCAÇÃO profana, PROFANA educação...
E eu tô pirando nisso, não sosseguei a estudar ontem antes de ir atrás de um dicionário e achei as seguintes definições: "PROFANO - Adj.1 - não relacionado com a religião; 2 - não sagrado; 3 - contrário ao respeito às coisas sagradas; Sm. 4 - aquilo que não se relaciona com a religião."(Def. do Dicionário Unesp, Português contemporâneo - Francisco S. Borba)....

E o que seria então uma educação profana?

Pensando em Educação Popular e Paulo Freire, retirando deles, usaria o conceito de conscientização na educação como processo de transformação pessoal e social que experimentamos na dialética com o mundo. Essa educação instrumental, que se parece tanto com o ensinamento de ofícios ao longo de milênios da história ocidental, que ensina a ordenar letrinhas mas não a sentir as palavras, a discuti-las, a dissertar sobre elas, essa educação que nos ensina aos pedaços, que divide, estratifica e classifica, que julga que aponta, que condena e louva...
A merda com a lógica evolutiva, classista, a merda com essa educação industrial, que nos aprisiona a mente, que nos obriga, que nos escraviza, que nos emburrece, que nos faz ficar estagnados resolvendo exercícios mecânicos de literatura, física, história, química, matemática, línguas, como se cada um desses conhecimentos fosse um caixote a ser decorado, como se nada tivesse sido criado e inventado a dinamizar nossos sentidos, como se essas artes só tivessem técnicas...aí é claro que pretensos artistas negam a técnica, afinal, ela foi valorizada demais nas outras artes! Cadê os sentidos, cadê o sabor das coisas? Aprisionam nossa mente nos sentidos que as coisas podem ter!! Nos aprisionam e não nos deixam criar, não nos deixam imaginar, injetam drogas educacionais que nos alienam, nos afomentam, nos condenam a sermos eternamente prisioneiros, a nunca conhecermos a nós mesmos!! Nos trancam fora de nós!!

E por falar em aprisionar a mente, essa educação que nos aprisiona o corpo, nos violenta em carteiras padronizadas e duras, nos castra nas possibilidades de movimento, aprisiona o corpo sem a dor da palmatória, nos proíbem o toque, nos proíbem o som, a fala, nos limitam as vistas ao quadro e aos uniformes sem cores, padronizam nossos cheiros em desodorantes que tentam disfarçar nossos feromônios, nos proíbem o sabor das coisas, das peles salgadas, as salivas doces...E é uma violência calada, implícita, hipócrita...A merda aulas longas e chatas, a merda ficar calado e não se mover....Tudo para o bom funcionamento da fábrica, apessoal, mecânica, perfeita, concentrada...

E por falar em corpo aprisionado, a merda a forma como nos educam a nós, mulheres, a ser "decentes", e colocar a todas nós, que não conseguem se adaptar, no limbo das vagabundas, das que merecem a violência, das que fizeram por merecer....Coloco e lembro das travestis aqui...

A merda sentar de perna fechada, cruzada, formigante, a merda essa educação que nos coloca abaixo, que nos obriga a provar que somos tanto quanto os homens, a merda essa proibição de mostrar o que há por baixo de nossas saias e além de nossos decotes, e mais a merda ainda usar essa mesma hipocrisia, essa mesma lógica de dominação para moldar nossos corpos e vende-los em salas de estética, revistas playboys e anorexias!

EU QUERO O FIM DESSA EDUCAÇÃO, EU QUERO A EDUCAÇÃOQUE LIBERTA, QUE DESENVOLVE A CONSCIÊNCIA, A EDUCAÇÃO DA VERDADE, A EDUCAÇÃO DA ARGUMENTAÇÃO, A EDUCAÇÃO DA LIBERDADE, A EDUCAÇÃO DA DIGNIDADE!

E falando em argumentação, vamos ao PROFANO:
Quais são as bases argumentativas de nossa educação (e de nossa sociedade ocidental) hoje?
Bom, temos a moral...A moral, a moral, a maldita dos meus textos, sempre, afinal, muita gente já me agrediu(psíquica e fisicamente) usando desse tipo de argumentação....E o que é a moral? A moral é um conjunto de valores de uma dada sociedade, valores que permeiam o incosciente coletivo, o incosnciente de uma classe, que são muito pouco contestados e que, quando contestados minimamente, se mostram pouco infundados, lacunares, ideológicos(bem marxista o termo, heheh)...Bom, a moral então é, na verdade, um caráter da cultura de uma dada sociedade...Claro que as pessoas só começam a pensar mais quando são estimuladas a isso, elas não acordam do nada e começam a pensar em elefantes cor de rosa sem nunca terem ouvido falar, visto, ou passeado num elefante cor de rosa. Portanto, por mais que a moral nos incomode tremendamente(como me incomodou por tanto tempo), não necessariamente isto foi suficiente para disparar a reflexão de contestá-la...
Ok então, e em que se baseia a moral nossa??
Bom, depois de milênios de sociedade patriarcal, mulheres renegadas ao espaço privado, o trabalho braçal, apesar de ser fundamental para manter o homem, ser menos valorizado e renegado por um bando de parasitas exploradores, a organização da educação ter se mantido por milênios nas mãos de uma religião específica - a católica, a igreja -, o sexo ter sido atrelado a reprodução, e por isso sem sentido ao todo da população o desenvolvimento de qualquer sexualidade fora disso - só para os homens que pudessem pagar uma boa puta, ou um bom eunuco, tudo meio escondidinho, claro - , depois de milênios de brigas entre etnias e culturas diferentes em diversas partes do globo, e tudo isso, absolutamente tudo, como a antropologia quer nos fazer acreditar que é característico da nossa espécie, tudo fundamentado e siginificado numa série de explicações, textos, registros, poemas, paidéias, mitos, religiões, repetições de explosões, soluções, estatísticas, relógios, papéis sagrados, enfim, tudo fundamentado e significado com uma base que hoje deu origem a uma coisa maluquíssima que é a Ciência...

Claro, não esquecendo que no fim, ou no começo, não sei, tudo vem da fome e da sede, do pavor que a fome e a sede nos trazem quando chegam, a fome e a sede provocadas por uma organização que explora, que mata, aliena e maltrata ainda - a despeito do desenvolvimento dos meios de produção - 1 terço da população mundial...Essa incoerência, de construir um aparato enorme se justificando em não sentirmos fome nem sede, mas matar de fome e de sede uma parte enorme da população, mas não matar como quando se atira com uma arma, matar por roubar a vida, por roubar a energia, por expropriar os sentidos. Não é a morte que assusta, a morte virá, e isso é fato; é a fome e a sede, causada para poucos, a expropriar a vida da maioria...No prático, é isso.

Pois bem, voltando, e em cima do que foi construída a ciência? Bom, em cima de um castelo de areia, de significações antigas, em cima também da religião...e apesar de sua pretensão em descrever, em explicar, em analisar o mundo, até tornar-se uma verdade absoluta, essa ciência que produz-se nela mesma, e continua justificando a velha moral judaico-cristã, essa ciência que é passada na escola ao colocar-nos em cadeiras a repetir a tabuada, essa ciência que me diz que tenho menos desejo que o homem, que as pessoas se atraem por feromônios do sexo oposto, que os negros são geneticamente mais propensos a serem alcoólatras, que sou mais fraca que um homem, que o operário é menos inteligente que o patrão, bla bla bla, essa ciência se baseia em métodos ARBITRARIAMENTE escolhidos, essa ciência implica num INTERESSE de quem a faz, e essa ciência que se propõe objetiva NUNCA SERÁ objetiva, porque NENHUMA EXPLICAÇÃO É RACIONAL, simplesmente porque o ser humano NÃO É RACIONAL. E nesse sentido, tomamos a ciência como mito, religião, explicação infundada ou com fundo duvidoso, tão premonitiva quanto a bola de cristal da cigana, e tão certa quanto o juízo final; em resumo, como uma música do Raul, conversa para boi dormir. E compreendendo a ciência como uma base da moral; compreendendo a ciência como baseada na religião e sendo um mito também, vou além da laicidade....

Vou ao PROFANO! Não se trata de proibir que as pessoas tenham religião...Eu não proíbo nada! Mas eu quero ir além do não ser religioso; o profano desvincula da religião, o profano coloca como não sagrado, o profano retira da dualidade de bem e mal quando é o não sagrado, o profano é contrário a religião, que eu significarei como contrário à argumentação da base da organização da nossa sociedade em cima de um mito, de uma significação maluca! Cada um que dê a sua, mas eu que não interfira na sua e você que não inferfira na minha, cazzo! E aí está a educação profana, numa educação anti-mítica, anti-religiosa, anti-científica, para construir um mundo consciente, prático, digno e LIVRE!

Bibliografias?
Me ajudaram neste devaneio:
Ultraje a Rigor - Pelado, Sexo, Vamos Virar japonês, Zoraide
RAul - Rock do diabo, Todo mundo explica, Eu Sou egoísta, Caminhos, Conversa para Boi dormir
PAulo Freire - A definição de consciência
Manacorda - História da educação
CAetano Veloso - Vaca profana(sempre), Quereres, Panis et Circenses
Ediógenes, Sydney, Sel, professores meus...
Colegas de classe: Todos, em especial o JJ e o João
A todos que têm discutido muito comigo, Capivara, pessoal de casa, Valentina..
E todo o resto da minha vida...eu ando numa piração ultimamente, sinto-me fecunda,
profunda, alucinada, criativa, louca, prática, linda, sensível ao mundo, aberta...feliz...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Prostituição Ideológica

Lhes escrevo em um almoço típico de páscoa, classe nédia...
Meu silêncio praticamente condizente e vendido por uns copos de vinho tinto português e uns deliciosos e apetitosos bolinhos de bacalhau...
Claro, agente duplo dessa classe média inconsciente(será??) neo-fascista...
Haja paciência..
Tudo pela paz familiar, uns bolinhos de bacalhau e uns vários copos de vinho tinto português...
Ainda bem que estou inspirada e meio bêbada hoje, hahahaha...
Feliz Páscoa, se é que algum católico ainda lembra do sentido real da data mais importante de sua religião, além de não esquecer de comprar uns (caríssimos, ultimamente) ovos de páscoa para a família toda....especialmente para os mais novos, afinal, ainda precisamos educá-los para o consumo!!
Atés embriagada...
Da eterna Vaca Profana

Sobre o nome do blog

Divinas Tetas...de uma Vaca Profana

Vaca Profana
Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso
Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada

Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...Ê, ê, ê, ê, ê

Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...Ê, ê, ê, ê, ê

Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"

Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em CUBA LIBRE
Perto do mar, longe da cruz

Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...Ê, ê, ê, ê, ê

Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi

Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas estamos a...Ê, ê, ê, ê, ê

Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal
"No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...Ê, ê, ê, ê, ê

Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas...

http://www.youtube.com/watch?v=Cei1HUf1wHY

carta a mi chiquitita

Mi Chiquitita,
Despierto ahora con ganas de escribirte...Quiero que sea una carta sencilla, sin mis artificios mentirosos, tan comunes, sin ser disimulada, sin promensas...
Linda, quiero tenerte cerca y besarte con mis manos en tu pelo, pasando mis dedos por tu espalda, haciendo un plano de tu cuerpo en mi memoria, en mi lengua, en mi piel. Oír tus chistes, reírme contigo, charlar sobre todo, sentir el olor de tu cuerpo, de tus cigarros...
Quiero ser tu amiga, amiga con algo más...
Pero eso es todo. Por favor, no te enamores de mi. No seas loca, no hagas eso conmigo. Y porque? Chica, porque no te puedo ser fiel, porque te vas a muy lejos y no me voy contigo, porque no quiero sufrir por no poder ser fiel. Nunca lo seré, chica, ya lo he intentado y no pude, y por mi culpa me herí, me perdí, y me enojé con mis verdades que no se cambian, quize cambiarme a algo que no soy...y negar a tus verdades es lo peor que puedes hacer, lo más violento...
Siempre, todo el tiempo, chica, no te olvides de los mensajes que envío con mis actitudes, que son una forma covarde de decir quien soy, una forma disimulada, pero presente...
No quiero verte llorar, ni cobrandome, ni prendendome...Y tampoco quiero que tu te prendas a mí...Quiero que seas libre como yo, que aprovechemos el tiempo para conocernos, para sentir nuestros cuerpos, para construir una amistad que sea para toda la existencia...
Quiero que leas esta carta en mis ojos, no me gustaría escribirla, entregartela, decirla...
Pero si no pudieras comprender, voy decirla...
No quiero más ser covarde, quiero el coraje de ser quien soy....
Un beso adonde quieras recibirlo....
La mejicanita

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nem putinha, nem boa moça

Sexo...quantas definições não dão a ele, as mil e uma interpretações e mistificações que lhe envolvem....

Como podem tê-lo aprisionado, demonizado, mal tratado? Existe antes de tudo uma necessidade de todos nós fisiológica, nosso corpo precisa de sexo, nossas veias, nosso humor, nossa pele, nossa alma...
Eu e minha eterna curiosidade, que me acompanha desde criança, essa curiosidade acovardada e escondida pelo machismo fantasmagórico, curiosidade silenciosa que me fez conhecer tão cedo o sexo...E acho um roubo terem me expropriado a relação mais próxima entre seres humanos, acho um absurdo, eu acreditei até os 10 anos que as crianças vinham do nada, embora já conhecesse muito bem o meu corpo, quando já tinha me perguntado porque tinha que sentar de pernas fechadas e porque tinha que ser magra, e tinha ido buscar a mim mesma, sem saber e sem ter idéia de como era esse tal de sexo, mas já sabendo da carga que tinha sobre minhas costas se alguém soubesse o que se passava na minha cabeça e nas minhas mãos, o machismo me oprimindo muito antes que eu descobrisse o que é o sexo...Esse sexo que tanto falavam na TV, sem explicar, sem falar....Falar sem falar, que coisa maluca, mas é isso que fazem quando dizem "use camisinha" e não discutem comigo nem se eu quero mesmo fazer sexo com um homem! Bah!
E essa hipocrisia, essa contradição, essa demagogia de educar-me para ser uma boa moça, uma pobre coitada a lavar louça, cuidar das crianças, e trabalhar para "ajudar" em casa, correndo por fora com uma indústria nojenta que usa e vende o sexo, quye estimula a mentira e a expropriação da minha sexualidade, que joga tudo para debaixo do tapete? É o motel que me dá uma nota fiscal com nome de loja, são as escondidas seções de filmes pornôs nas locadoras, a revista playboy lacrada, as senhas de internet nos sites, e até formas mais sutis dessa indústria, como os mil cosméticos, cirurgias plásticas, ceras depilatórias, silicones, que transformam o meu próprio corpo, veículo sagrado de existência nesse mundo, numa mercadoria ambulante, numa putinha disfarçada de boa moça....A merda tudo isso! Hipocrisia esconder minha nudez sob as nossas roupas sem decotes, esconder meu desejo pulsante, minha necessidade poligâmica e insaciável!!!
Nem putinha nem boa moça, eu sou gente, pessoa, ser humano, mulher!
Nem hetero, nem bi, nem homo...eu não posso ter tesão nas pessoas pela própria sensualidade que exalam, ao serem elas mesmas, ao olharem nos meus olhos, ao exalarem seus feromônios pelo ar? Tenho que me prender a uma merda de estética dada, tenho realmente que não desejar uma barriga, uma celulite, uma cor, um homem ou uma mulher? Não posso ser sensual sem ser uma merda de padrão?
Que venham os verdadeiros a tomar-me, conquistar-me, devorar-me, que venham saciar essa vontade de mundo, que venham mostrar para mim e para o mundo que eu não sou bela por ser a nova capa da playboy, que eu posso ser bela simplesmente por me posicionar perante a vida e ao sexo, e que eu posso ser bela amando belas pessoas, muitas delas, sem monogamia e sem propriedade....

Não ao latifúndio, viva a invasão!

Sexo

Ultraje a Rigor

Composição: Indisponível

Sexo!
Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Eu quero Sexo! Me dá Sexo!

Hoje vai passar um filme na TV
Que eu já vi no cinema
Êpa! Mutilaram o filme
Cortaram uma cena...

E só porque
Aparecia uma coisa
Que todo mundo conhece
Se não conhece
Ainda vai conhecer
E não tem nada de mais
Se a gente nasceu
Com uma vontade
Que nunca se satisfaz
Verdadeiro perigo
Na mente dos boçais...

Corri pr'o quarto
Acendi a luz
Olhei no espelho
O meu tava lá
Ainda bem
Que eu não tô na TV
Senão ia ter que cortar...

Ui!
Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Eu quero Sexo! Me dá Sexo!
Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Eu quero Sexo! Vem cá Sexo!

Bom! Vá lá, vai ver
Que é pelas crianças
Mas quem essa besta pensa
Que é prá decidir?
Depois aprende por aí
Que nem eu aprendi...

Tão distorcido
Que é uma sorte eu não
Ser pervertido
Voltei prá sala
Vou ver o jornal
Quem sabe me deixam
Ver a situação geral
E é eleição, é inflação
Corrupção e como tem ladrão
E assassino e terrorista
E a guerra espacial
Socorro!...

Eu quero Sexo! Me dá Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Sexo!
Me dá Sexo! Me dá Sexo!
Eu quero Sexo!

Sexo! Eu quero Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Me dá Sexo! Me dá Sexo!
Eu quero Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Sexo!

Sexo! Eu quero Sexo!
Como é que eu fico sem Sexo?
Vem cá Sexo! Senta Sexo!
Vem cá Sexo! Me dá Sexo!
Solta Sexo!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

As Águas de Março....

Ah, o mês de março...
Na minha vida, realmente o fogo que inicia, todos os anos, um ciclo novo, o fogo ariano a incendiar meus dias, mês que durmo menos, conheço mais gente, mês eufórico, desorganizado, a infância do ano, a energia do sol, a explosão....E a quantos marços eu devo quem sou hoje?
Nada como umas boas águas de março para fluir a vida....a água que lava, que corre, que refresca, que permuta, que, enfim, faz brotar a magia da vida....
E quantas boas lembranças não guardo eu de meses de março, e dessa bossa gostosa que descreve tão bem esse mês...
Me peguei pensando nessas coisas no dia 31 de março, depois desse mês delicioso, ouvindo exatamente águas de março, numa chuvinha gostosa....
Que venha agora abril, com as energias taurinas práticas da terra, da persistência e perseverança, a concretizar os projetos que iniciaram da explosão ariana....
=)
http://www.youtube.com/watch?v=srfP2JlH6ls

domingo, 5 de abril de 2009

O meu ideal....

Aos obsessivos colegas, ávidos por definições de uma posição política para mim, enfim, chegou o dia: concluí finalmente minha definição....Talvez não como satisfaça aos mais ortodoxos, rotuladores, tolhadores, mas não adiantaria esperar isso de mim, eu nunca vou querer ser assim...

Finalmente, essa semana tive uma sacada no meio da aula de filosofia(justo na aula mais acadêmica, hahaha, contradições a parte...) que me deu um siricutico e eu fiquei doida para sair por aí pulando....A conclusão começou quando a professora colocou uma definição de Kant acerca do ideal: "O ideal é uma idéia de perfeição".
Partindo desse pressuposto de ideal, comecei a pensar se eu tinha algum ideal, se eu acreditava em perfeição....

Pegando o que eu já li de raciocínio lógico, em que você sempre parte de premissas para desenvolvê-lo, eu percebi que tinha alguns princípios de sociedade que poderiam levar a várias formas de sociedade "ideal"...

Juntando ao que eu mais detesto desses movimentos políticos de esquerda, que é o seu (espero que não) eterno sectarismo, em sua rigidez de idéias e de modelos de mundo, em que eles são capazes de se separar por qualquer mísera vírgula de interpretação de Marx, e em toda a doutrinação que alguns grupos querem incurtir nas cabeças das pessoas (com o atrevimento de chamarem isso de consciência política e educação), eu finalmente entendi!!

Eu não acredito em receita de bolo, modelo pronto... Desde meus sonhos mais íntimos de amor até os meus delírios de sociedade, eu sempre usa a palavra mágica: Construção...

Eu acredito em uma revolução construída, arquitetada, projetada, pintada e efetivada pelas mãos de quem a quiser construir, na qual podemos pegar aquilo que seja mais interessante de cada modelo, autor, poesia, discurso, sonho, e que seja construída sem bíblias, sem conclusões prontas, sem imposição, a partir de princípios....Essa é minha idéia, eu não quero lutar por uma receita de bolo, eu quero lutar para construirmos algo diferente...

Além disso, o que não ferir meus princípios não estará contra mim: estará indo no mesmo sentido que eu quero ir...princípios? Não sei se tenho todos formados, mas alguns eu exponho aqui: Dignidade, acima de tudo, que para mim é ter o mínimo de condições para se viver, liberdade para ser quem se quer ser de verdade, para desenvolver-se ao máximo, para buscar tudo o que se sonhar(ou seja, igualdade de poder político), e responsabilidade, por si e pelos outros....

Isto posto, coloco aquilo(ou melhor, quem, pensando que tudo serve a alguém e por alguém)que está contra mim:
- o capital, que se nutre da miséria de um terço da população mundial e escraviza todos os terços, fere a dignidade, a liberdade(que é condicionada ao capital, pensando no sistema capitalista de hoje, é só liberdade de mercado, e não a liberdade que eu quero), e a responsabilidade, visto que todos são eternas crianças que tem que ser tuteladas nessa democracia eleitoreira e representativa que eu tanto detesto e abomino!

- nisso, entram as teorias políticas de direita, o capitalismo e o fascismo(que impõe tudo o que o capitalismo impõe mas sem liberdade de mercado e, pior que isso, pela força militar - tenho nojo de farda!)...

Para concluir o tópico de coisas que eu abomino, entram todas as instituições e que sirvam ao capital, todas as formas de dominção e imposição que vão contra esses meus princípios....Na real, portanto, entram todas as idéias, explicitamente políticas ou não,que se basem na direita...

E então, concluo-me sem definição...Eu sou na verdade uma pragmática, eu não fico sonhando com ideiais, eu só quero que as pessoas tenham o mínimo, e a partir daí discutamos como vamos nos organizar, eu não quero impor-me as massas, eu quero fazê-las discutir, quero que elas tomem as rédeas de si mesmas e que elas decidam se querem a revolução e que revolução querem, eu não tenho religião, não tenho doutrinação política, não boicotarei nenhum movimento que seja verdadeiramente de esquerda, seja ele anarco, socialista, comunista, ou qualquer ista que se queira colocar, eu apoiarei esses movimentos contanto que sejam uma construção coletiva....E a construção coletiva sim é o meu ideal, a desconstrução dessa merda de capital(e para isso tem que estudar, discutir e brigar demais!!) para partirmos para a nossa liberdade...

É o Novo Aeon de Raul!