quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Escrevo-lhes um pouco embriagada ainda, pelo álccol, pelo turbilhão das coisas, pelos meus hormônios latejantes, pelo livro que comecei a ler.
Trópico de Câncer, me deixa louca, quero conhecer o que ele narra, deixei-me enlouquecer por Henry em pouquíssimas páginas.
Meu cheiro me perturba, sinto-me num cio intenso, uma vontade louca, só quem já conheceu um homem louco assim pode saber do que estou falando. Henry é o que foi um outro para mim, e nada me deixaria mais perturbada que um livro dele.
Se eu sei o que é cio é porque conheci ele antes de todos.
E como num poema de Djavan, para mim o cio sempre vence o cansaço...
Quero sair, plantar folhas de sonhos, cheirar fumaça de óleo diesel, porque o sol daqui é pouco e o mar...o mar é quase nada...
Preciso preciso de víceras hoje, preciso dançar até perder os pés, preciso perder-me em diante de seus olhos...
Por deus, a loucura me toma...
10 páginas de Henry são suficientes....
10 páginas e 3 copos, louca, louca louca...
Sem sentido nenhum este texto, vou me arrepender amanhã, mas hoje eu não quero saber.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Parresia feminista

Ah, a Parresia, linda palavra, que conheci num colóquio incrível sobre um cara chamado Maurício Tratengbreg...Todo mundo devia ler esse cara!

Parresia é um conceito grego, avesso a retórica, que significa "falar a verdade, mesmo que se corra riscos por isso"...Cara, isso é a alma da transformação, da transgressão, isso é o ápice da revolução!

Pois bem, sobre falar tudo...bom, eu sempre fui meio irritadinha, estressadinha, e gritava palavras de ordem em conversas de bar, palavras de ordem com pouco e parco embasamento teórico, pouca e parca reflexão sobre atitudes, mas a permanente e intuitiva indignação, própria de quem nasce no lado "errado" do mundo, o "utópico", o "inalcansável", o "hipócrita", o "maldito" lado esquerdo...bom, fazer o quê?

Sempre fui especialmente indignada em relação a prisão em que me colocaram por ter tido o enorme prazer de ser mulher. Enorme prazer porque eu amo ser mulher, não para usar saltos e cabelos vermelhos; eu amo sentir o ciclo da lua no meu corpo, no meu humor, amo o meu formato no espelho(mesmo quando abuso dos docinhos...), amo a forma como o prazer vem a mim, disperso, intenso, amo a minha forma feminina de sentir, o colo, o carinho das mãos, que não foram feitas para bater. É por isso que sou uma incondicional feminista.

Não, eu não odeio homens, não os quero escravos na cozinha, não os quero depilados, não os quero num maldito salto, não quero desmoralizá-los por serem homens que saem com muitas mulheres. Essa visão de feminismo(ridícula, por sinal), não ataca as raízes da questão; é preciso mudar a lógica, e não invertê-la. Não quero ser uma Idi Amim do feminismo, isso é revoltante e absurdo... E no que consiste minha ação de feminista? Aí está, na Parresia...

Pois é, hoje eu amadureci e demorei muito tempo para chegar nesse parágrafo aí de cima...bom, não tanto para chegar no parágrafo, mas na ação que dele implica. Já quis ser muito má com os homens, desprezei-os depois de certa noite, os xinguei, quis sua cruz, mas chorava bastante com as pedras, tão semelhantes as que jogava por aí, e delas me escondia com um discursinho furado de mentir, fingir...Eu não queria jamais um cara machista, e era obrigada a ouvir que eu provavelmente ia acabar sozinha(quer maior machismo que esse, dizer que eu tenho que mudar meu jeito de ser, pelo menos falar menos, porque senão homem nenhum ia me querer? Será que alguma mulher me aceitaria, penso eu? heheh...Idéias machistas e homofóbicas,uai, quem disse que eu quero um homem? E quem disse que eu por ser mulher vou ser infeliz se não tiver alguém? A mulher vista como frágil e incompleta...). E como impedir machistões? Pelas atitudes, ué, é fácil saber se ele vai te julgar por ser livre: seja. Pois bem, um dia eu fui livre e não fui julgada por isso, aliás, fui amada por isso. Hehehe, homem perfeito? Não, apenas um capricorniano de esquerda...O homem perfeito tem que ter ascendente em libra! hehehe...

Aproveitei a deixa para sacar várias coisas...conclusão? Que, apesar de dizerem para maneirar em meus textos, apesar de me dizerem para tomar cuidado com o que pensam de mim, apesar de me chamarem disso ou daquilo, eu digo hoje, calmamente, a pura verdade, sem competir com homem nenhum. Já estou aprisionada demais em malditas depilações, leis inconcebíveis a um estado laico, o risco permanente de um imbecil qualquer achar que porque eu dou para todo mundo tenho que dar para qualquer um(essa frase é memorável, hehehhe, da primeira mulher a usar um biquíni no Brasil) e me chamar de vagabunda porque eu não vou dar para ele, etc e tal, para estar presa também a proclamar o que penso e faço. Isso porque eu não me preocupo tanto com os padrões de "beleza" da sociedade, com todas as neuras competitivas que nos ensinam desde muita pequenas com as coleguinhas, tento me livrar dos mil nojos e da idéia de que sou uma "mocinha indefesa"...

A parresia deve ser permanente...A parresia é aliada, é o ser e fazer de verdade...Ela tem melhorado até relações mais complicadas minhas, como com a minha mãe, tem melhorado minha felicidade comigo mesma....

Mas claro, para praticar parresia é preciso que se tenha muita coisa em mãos...
A vergonha do que se faz deve ser a primeira a calar-se. Faz parte do admitir o risco, a vergonha é um enorme instrumento de violência simbólica, um enorme repressor.
Vergonha dos erros do caminho?Admitir os erros é o primeiro passo para a reflexão, e não devemos ter medo de errar, mas devemos ter cuidado para não errar...
Outra coisa que se precisa é argumentação. Vixe, essa é bem difícil de conseguir, precisa ler muito, discutir muito, e pensar mais ainda... não para você sair pregando ao seu coleguinha, mas para manter-se sempre no seu eixo e fazê-lo pensar também. Ler só não basta, discutir só não basta, pensar só não basta; a reflexão precisa de conhecimento, flexibilidade e muita disposição.... É preciso estar preparado a defender-se, sempre; é preciso estudar tudo, conhecer o argumento do outro para não se surpreender, e pensar o tempo todo...
Mas o que não deve faltar, como todo bom sábio chinês diria, é calma. Com ela, se vai longe...quem tem argumento e está realmente convencido do que pensa não precisa de violência. Sem calma, não se assume o risco, e aí é que eu acredito que resida o ditado: Quem não deve, não teme. Dever é algo inerente ao que se acredita, e se você realmente acreditar que não deve, não há então o que temer. Pelo menos não em se falar a verdade....

É preciso tomar o risco, mostrar a cara, pois não adianta convencer as paredes do quarto e matar os mais fanáticos opositores. Grito e gritarei sempre, eu amo a liberdade, e quero exercê-la femininamente. Se para fazer a revolução a minha volta, para quebrar minhas correntes, eu preciso da parresia feminista, esta será minha aliada, minha parceira, minha arma.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Regrinhas...

Regras jornalísticas sobre o Oriente Médio
Doze regras de redação da grande mídia internacional quando a notícia é sobre o Oriente Médio:
1. No Oriente Médio, são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se "represália".
2. Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isto se chama "terrorismo" .
3. Israel tem o direito de matar civis. Isto se chama "legítima defesa".
4. Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isto se chama "reação da comunidade internacional" .
5. Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "seqüestro de pessoas indefesas."
6. Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10 mil presos, 300 dos quais são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos palestinos. Isto se chama "prisão de terroristas" .
7. Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatório que a mesma frase contenha a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".
8. Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiado e financiado pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.
9. Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "territórios ocupados", "resoluções da ONU", "violações dos direitos humanos" ou "Convenção de Genebra".
10. Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil a qual "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isto se dá o nome de "covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e misseis os bairros onde eles estão dormindo. Isto se chama "ação cirúrgica de alta precisão".
11. Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso, eles e seus apoiadores devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes 'regras de redação' (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "neutralidade jornalística" .
12. Todas as pessoas que não estão de acordo com as 'regras de redação' acima expostas são "terroristas anti-semitas de alta periculosidade" .
(Texto de autor francês desconhecido, enviado por leitor ao blog da Agência Carta Maior)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Por que um blog?

Caros Amigos...

Este primeiro post é para explicar, justificar, formalizar e responder a esta pergunta simples e prática: por que criar um blog?

Vamos lá, tenho razões políticas, artísticas, pessoais e médicas para criar um blog...

1 - As Políticas: Bom, eu penso bastante em política, e tenho procurado cada dia mais ler e estudar sobre tudo o que está relacionado a ela, atuar sobre ela ativamente e saber quando estou atuando nela passivamente, além de refletir sempre até onde posso ir com ela. O blog é uma maneira de não perder as minhas reflexões e ações, de ter um registro disso...fiquei maravilhada quando comecei a ter contato com textos e histórias de anarquistas, que sempre tem uma preocupação muito grande com o registro, a memória, para que não se perca o outro lado da verdade, dos fatos e dos argumentos...fiquei assustada ao reestudar história e descobrir como a escrita demarca a história de todos nós, e porque ela considera civilizado o povo com escrita e regulamentações formalizadas: sendo a nossa sociedade dominada por (nojentas e perversas) relações de poder, nada que fizermos terá efeito no futuro se não tivermos o seu registro, se não lutarmos por eles, pois essa é a única salvação perante a derrota da batalha de hoje, é isso que trará alguma possibilidade para o futuro. Se não registrarmos e lutarmos para salvar o registro, o poder sempre irá destruí-lo e distorcerá o que fomos e o que somos hoje. É a única chance que teremos de trocar as nossas idéias com o resto do mundo, de conquistar mais gente para o nosso lado, saber falar a língua do poder, usar sua estratégia. Se os portugueses aprenderam a língua indígena para dominar-los melhor, vamos nos utilizar da ferramenta do poder para destruí-lo.

Sim, este blog é de uma pessoa de esquerda... não, eu não sou comunista, socialista, anarquista, egoísta, autruísta, moralista, feminista, ateísta, saxofonista, violinista, violonista, baixista, baterista, capoeirista(este eu tô tentando ser!) bla bla bla... eu quero que as classificações e os nomes que me dão de "istas" vão para a puta que pariu!

Eu sou a favor da dignidade. Discutirei o que isso significa para mim em outro post.

Claro que eu tenho mais afinidade com alguns do que com outros...mas não me classifico em nada porque eu sou anti-doutrtinária, anti-ortodoxa, eu sou um ser em construção, cheia de contradições dialéticas e gritantes, que vão me modificando sempre e aos poucos...E eu espero que a metamorfose ambulante ande sempre comigo, e que, como considera Pasollini, minha vida só faça sentido depois de minha morte...porque aí, realmente, não há mais como mudar.

2 - As Artísticas: Às vezes escrevo uns poemas, uns textos, e nunca mostro para ninguém...na verdade, eu geralmente os acho péssimos (não adianta, literatura para mim nunca poderá ir além de um passatempo, minha arte está no corpo que passeia pelo palco, e não nas palavras sedentas por sair, por gritar e se espalhar...essas eu guardo para os registros revoltados!).
Eu também adoro compartilhar música, penso muito tempo nas músicas, escrevo sobre minhas impressões, pesquiso, decoro, mudo algumas partes na minha cabeça, enfim...Esse blog seria uma forma de fazer isso, melhor que o perfil do orkut...hehehe

O próprio nome do blog vem de uma música que eu adoro, com a qual me identifico, que se chama Vaca Profana, e é do Caetano...apesar de tudo, o Caetano é um letrista fantástico, e boa parte de minhas músicas preferidas vem dele (dele e , claro, do Raulzito, que estará muitíssimo presente nesse blog)...mas tenho um carinho especialíssimo pela Vaca Profana, por renegar os caretas dando muita risada, e por falar de viagens e de amores diversos e perdidos, que são tudo o que eu amo nessa vida, uma postura que eu tento tomar, de "respeitar muito minhas lágrimas, mas ainda mais minhas risadas"...por falar de vacas com divinas tetas(eu amo as minhas, hahahah), enfim...

3 - As Pessoais: Meu sonho de infância era ser jornalista, eu adoro escrever, principalmente para argumentar, e ter um blog é poder ser um pouco jornalista e um pouco cronista, é ter um espaço para escrever que não seja uma folha perdida em um caderno de química, um espaço que outras pessoas também verão...Tenho problemas demais para expor minhas razões, sou péssima oradora quando se trata de dar a minha opinião, ou me escondo e me calo, ou explodo e grito, e perco a razão...As coisas que faço acabam alardeando sem que eu me explique nunca, do cabelo vermelho ao jeito debachado, a típica tímida espalhafatosa...e fico tentando conciliar todo mundo, mesmo que não concorde com quase nada de verdade, para evitar o conflito que sempre acaba estourando depois, a típica balança libriana de ascendente no explosivo signo de touro, que sempre faz gritar o lado mais profundo, chorão e meloso do meu signo lunar pisciano...

Não, eu não sou uma doida psicótica por signos, mas me identifico muito com a descrição do meu mapa astral...heheh

Morro de medo de perder as pessoas, e muito pior, tenho pavor de críticas. Pronto, assumi.

Mas quero mudar isso, por que quero ser sincera comigo, quero ser sincera com os outros, quero que a parresía(a coragem de dizer a verdade) me tome e me preencha, para que eu seja um ser mais completo, mais inteiro, e muito mais revolucionário(no meu conceito de revolucionário, claro, mas isso a gente discute depois)...O blog é uma forma de falar ainda sem mostrar tanto a cara...heheh...tudo é um processo....

4 - As Médicas: Sou um ser meio maluco, e escrever para organizar as idéias é certamente um ótimo remédio anti-psicanálise....não tenho nada contra psicólogos, mas nunca consegui me adaptar a nenhum deles, simplesmente porque todos eles me olhavam com cara de pena e me guiavam para a conclusão de que eu devia me adaptar e me acostumar com um mundo que me insulta... E até hoje eu não me deparei com uma teoria de psicologia que me convencesse...algumas até que me parecem um pouco razoáveis, mas sei lá...enfim, estudei muito pouco também...Mas enquanto não estudo mais, ficarei nos meus textos cibernéticos mesmo....heheheh

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Acabo aqui minhas razões bloguísticas....

Até o meu próximo devaneio!

Vaca Profana